Alfredo Góes recebe hoje o título de professor emérito da UFMG
Trajetória de quase quatro décadas no ICB foi marcada pela formação de pesquisadores e por estudos sobre doenças infecciosas, câncer e engenharia de tecidos
Por Matheus Espíndola
Nesta sexta-feira, 4 de setembro, às 18h, no auditório 3 “Cerrado”, do Instituto de Ciências Biológicas (ICB), o docente aposentado Alfredo Miranda de Góes será homenageado com o título de professor emérito da UFMG, em cerimônia com presença do reitor Alessandro Fernandes Moreira. Docente entre 1978 e 2016, Alfredo Góes permaneceu ligado à Universidade mesmo depois da aposentadoria. Durante cinco anos, atuou como professor voluntário do Departamento de Patologia do ICB. Hoje é pesquisador voluntário no Laboratório de Sinalização de Cálcio, do Departamento de Fisiologia e Biofísica.
Ao longo da carreira, publicou mais de 270 artigos científicos, recebeu mais de 8 mil citações, obteve 15 patentes e teve 19 projetos aprovados como coordenador em agências de fomento. Foi pesquisador 1A do CNPq durante 22 anos e orientou 45 dissertações de mestrado, 47 teses de doutorado, 21 trabalhos de pós-doutorado e 50 estudantes de iniciação científica. Sua atuação abrangeu áreas como imunologia, doenças infectocontagiosas, câncer de mama, células-tronco, medicina regenerativa, biomateriais e engenharia de tecidos.
Fundou o Laboratório de Imunologia Celular e Molecular (LICM), que se tornou referência em áreas como esquistossomose, paracoccidioidomicose, câncer de mama, células-tronco e engenharia de tecidos. Sua atuação também se caracterizou por parcerias com diferentes unidades da UFMG e instituições brasileiras e estrangeiras.
Para Góes, o título de emérito coroa uma trajetória acadêmica construída lado a lado com professores, servidores técnico-administrativos, estudantes, colaboradores e instituições. A UFMG, segundo ele, tornou-se sua segunda casa e o espaço onde pôde ensinar e aprender, pesquisar, formar pessoas e compartilhar projetos. “Receber este título significa reafirmar um vínculo que permanece vivo. Talvez o mais importante não tenha sido apenas aquilo que pesquisamos, mas as pessoas que passaram pelo laboratório, os estudantes que orientamos, os colegas com quem trabalhamos e as perguntas que aprendemos a fazer juntos”, reflete.
Sem ponto final
A homenagem tampouco representa o encerramento de sua trajetória, nas palavras de Alfredo Góes. “Não vejo um ponto final, mas a confirmação de um pertencimento. Uma carreira acadêmica não termina quando deixamos uma sala de aula ou um laboratório. Ela continua nas pessoas que formamos, nas ideias que compartilhamos, nas pesquisas que ajudamos a construir e nas instituições às quais dedicamos parte de nossa vida”, declara.
A saudação a Alfredo Góes será feita pela professora Maria de Fátima Leite, do Departamento de Fisiologia e Biofísica. Sua ligação com o homenageado teve início quando chegou à Universidade como professora concursada, em 1997. “Eu ainda não dispunha de espaço para desenvolver minhas pesquisas. Alfredo Góes me ofereceu uma mesa em seu escritório e o uso de seu laboratório”, relata. O episódio, para Maria de Fátima, sintetiza uma característica intrínseca à trajetória do homenageado: a disposição para dividir espaços, conhecimento e oportunidades. “Alfredo Góes passou a vida acadêmica abrindo espaços na ciência, para alunos, novas ideias e, muitas vezes, para pessoas que ainda nem sabiam que poderiam ocupá-los. Ele tem a capacidade rara de fazer as pessoas acreditarem que podem ser melhores”, destacou.
Trajetória
Alfredo Miranda de Góes graduou-se pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), em 1975, e concluiu o mestrado na UFMG, em 1979. Em 1985, obteve o doutorado pela Escola Paulista de Medicina, atual Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), e, em 1989, realizou estágio de pós-doutorado na Texas A&M University, nos Estados Unidos. Professor titular aposentado da UFMG, foi pesquisador 1A do CNPq por 22 anos. Desenvolveu sua carreira principalmente nas áreas de bioquímica e imunologia, com ênfase no estudo de microrganismos e das respostas imunológicas associadas a diferentes doenças.
No Laboratório de Imunologia Celular e Molecular, fundado e liderado por ele, as pesquisas se concentram no desenvolvimento de novas tecnologias e estratégias relacionadas à prevenção de infecções, inflamação granulomatosa, marcadores diagnósticos e formulação de vacinas, além de estudos sobre câncer de mama, células-tronco, biomateriais e regeneração de tecidos. Entre suas principais frentes de investigação estiveram doenças infectocontagiosas, particularmente a esquistossomose, causada pelo Schistosoma mansoni, e a paracoccidioidomicose, associada ao Paracoccidioides brasiliensis. Nessa área, desenvolveu trabalhos sobre imunofenotipagem, imunorregulação, vacinas, imunodiagnóstico, antígenos recombinantes, silenciamento gênico e polimorfismos de citocinas.
Outra vertente de sua produção científica envolveu a imunologia do câncer de mama, com pesquisas sobre os efeitos da radiação em células tumorais, a relação entre fatores psicológicos e o sistema imunológico e a influência de determinados genes na sobrevivência de células tumorais. Também se dedicou às células-tronco, aos biomateriais e à engenharia de tecidos. Desenvolveu estudos sobre osteogênese em culturas tridimensionais com células-tronco mesenquimais humanas, interação de biomateriais com células ósseas, processos de neurogênese e desenvolvimento de novos biomateriais e biorreatores para aplicação em engenharia de tecidos. Sua atuação nessa área incluiu trabalhos pioneiros com diferentes fontes de células-tronco e com matrizes produzidas por descelularização de tecidos.
Alfredo Góes participou de diferentes programas de pós-graduação da UFMG e estabeleceu colaborações com pesquisadores e instituições no Brasil e no exterior. Também exerceu atividades de gestão e integrou comitês e instâncias acadêmicas.
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