Sandra Goulart é homenageada pela embaixada da França no Brasil
Reitora nas gestões 2018-2022 e 2022-2026 foi condecorada com a insígnia de Cavaleira da Ordem Nacional do Mérito da República Francesa
Por Matheus Espíndola
A professora Sandra Goulart Almeida, reitora da UFMG nas gestões 2018-2022 e 2022-2026, foi condecorada na última sexta-feira, dia 20, com a insígnia de Cavaleira da Ordem Nacional do Mérito da República Francesa. A honraria, entregue pelo embaixador da França no Brasil, Emmanuel Lenain, em solenidade realizada no gabinete do reitor Alessandro Fernandes Moreira, reconhece a trajetória acadêmica da docente e sua atuação decisiva na consolidação dos laços científicos e culturais entre os dois países.
Em seu discurso, Emmanuel Lenain destacou que a distinção – criada em 1963 pelo General Charles de Gaulle – é destinada a personalidades que contribuem de maneira notável para o prestígio da França e para o fortalecimento de suas relações globais. O diplomata enalteceu a carreira de Sandra Goulart como professora titular de Literatura Comparada, pontuando que sua produção é marcada por uma “abertura ao mundo” e pela confluência com o pensamento francês contemporâneo. Ele citou a interlocução da homenageada com autores como Jacques Derrida, Paul Ricœur, Gilles Deleuze e Michel Foucault, além de sua pesquisa sobre temas centrais como os estudos de gênero, a literatura pós-colonial e os fenômenos de autotradução e diáspora.
“Sua reflexão crítica mobiliza importantes contribuições do pensamento francês, explorando temas como o corpo, o espaço, os afetos e as formas de escrita feminina”, observou o embaixador, lembrando também a atuação da docente na presidência da Associação Brasileira de Estudos Canadenses como um marco no fortalecimento dos estudos francófonos no Brasil.
Parceria acadêmica
Ao recordar o trabalho de Sandra Goulart na gestão da UFMG – primeiro como diretora de Relações Internacionais, depois como vice-reitora e, por fim, como reitora –, Emmanuel Lenain enfatizou o papel da professora na consolidação da Universidade como uma das principais parceiras acadêmicas da França. Segundo ele, sob a liderança de Sandra Goulart, a cooperação atingiu novos patamares com a criação do Centro de Excelência Jean Monnet e o desenvolvimento de programas ambiciosos como as Cátedras Franco-Brasileiras.
Honraria compartilhada
Nas palavras de Sandra Goulart, a condecoração é um reconhecimento que compartilha com toda a comunidade universitária. Ela recordou que seu aparato teórico na Literatura Comparada e seus trabalhos com tradução possuem raízes profundas no pensamento francês, o que torna a distinção uma “enorme satisfação pessoal e acadêmica”.
A ex-reitora destacou que a relação entre a UFMG e a França extrapola a produção de conhecimento. “Compartilhamos a crença na importância das instituições públicas de educação superior, no conhecimento como instrumento de melhoria da vida das pessoas e, principalmente, na defesa da democracia”, pontuou. Sandra Goulart mencionou parcerias estratégicas em áreas como ciência, educação, esporte e meio ambiente, citando a atuação fundamental de adidos culturais e pesquisadores que consolidaram essa cooperação histórica.
Ao refletir sobre o significado da honra recebida, Sandra Goulart recorreu à filosofia de São Tomás de Aquino e ao pensamento do líder indígena e ambientalista Ailton Krenak – também condecorado pela França em 2024. Relembrando uma conferência de Krenak na UFMG, a professora destacou a urgência da cooperação entre os povos para enfrentar os desafios globais. “Como diz Krenak, a cooperação não é apenas para salvar o mundo, mas para salvar a nós mesmos. Esta cerimônia simboliza justamente a união em defesa de valores comuns”, refletiu.
Patamar de excelência
Ao saudar a homenageada, o reitor Alessandro Fernandes Moreira, que assumiu o cargo na última quinta-feira, dia 19, enfatizou que a liderança de Sandra Goulart foi decisiva para alçar a UFMG a um patamar internacional de excelência. “Durante oito anos, pude acompanhar de perto o trabalho que realmente transformou a projeção da nossa universidade no cenário global”, testemunhou.
O reitor destacou que a parceria com a França representa um “eixo estratégico” na política de internacionalização da UFMG. “Temos desenvolvido colaboração sólida com universidades e centros de pesquisa franceses, voltada ao fortalecimento da formação internacional de nossas comunidades universitárias. Construída ao longo de décadas, essa contribuição se materializa em projetos científicos conjuntos, intercâmbios de estudantes e docentes, cotutelas de doutorado e publicações acadêmicas de alto impacto”, enumerou. De acordo com Alessandro Fernandes, a gestão 2026-2030 “continuará construindo pontes de cooperação com a França”.
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