Pandemia contribuiu para aumentar os riscos de abuso sexual infantil
Pesquisa da Escola de Enfermagem mostrou que, à medida que as medidas de distanciamento social eram flexibilizadas, o sistema de saúde registrava picos de atendimento que superaram os limites históricos
Por Bernardo de Moraes | Assessoria de Comunicação da Escola de Enfermagem
Durante a pandemia de covid-19, os fatores de risco para abuso sexual infantil aumentaram, mas o número de consultas de crianças vítimas de abuso na Atenção Primária à Saúde (APS) diminuiu. É o que constata a pesquisa Impacto da pandemia de covid-19 nas consultas por abuso sexual infantil nos serviços de Atenção Primária à Saúde no Brasil.
Coordenado pelo professor Ed Wilson Rodrigues Vieira, do Departamento de Enfermagem Materno-infantil e Saúde Pública da Escola de Enfermagem, o estudo avaliou como os serviços de APS no país responderam aos casos de abuso durante a pandemia, já que, nesse período, a prioridade foi o cuidado de casos e suspeitas de covid-19.
Para o desenvolvimento da pesquisa, foram utilizados dados do Sistema de Informação de Saúde para a Atenção Básica, que consideraram o número de consultas mensais de crianças de zero a nove anos com diagnóstico de abuso sexual, entre abril e dezembro de 2017 a 2020 (os primeiros nove meses da pandemia). Nos recortes considerados, foram estudadas 5.097 consultas de crianças vítimas de abuso sexual (25,1% durante a pandemia), sendo que 79,8% eram de meninas. O pesquisador explica que os resultados contemplaram apenas dados relativos aos primeiros nove meses da pandemia em 2020, por se tratar do período de maior incerteza quanto aos impactos das medidas de controle da covid-19 na rotina dos serviços de saúde.
Distanciamento social aumentou vulnerabilidade
A pesquisa mostrou que, à medida que as restrições de distanciamento social eram flexibilizadas, o sistema de saúde registrava picos de atendimento que superaram os limites históricos. Entre o quinto e o nono mês da pandemia (agosto a dezembro de 2020), as taxas de consultas para meninas e meninos mais novos (0 a 4 anos) ultrapassaram as médias esperadas. Segundo os autores, esse fenômeno sugere que o retorno gradual à circulação possibilitou que casos de abuso crônico, ocorridos durante o confinamento severo, finalmente chegassem ao conhecimento dos profissionais de saúde.
De acordo com o professor Ed Wilson, o cenário pandêmico trouxe uma série de desafios que aumentaram os fatores de risco para o abuso sexual contra crianças. “Muitas crianças vulneráveis ficaram isoladas com potenciais agressores. A limitação ou mesmo a interrupção das atividades regulares dos serviços de proteção à criança e dos canais de denúncia, o fechamento de escolas e a suspensão de atividades extracurriculares, as restrições aos serviços de saúde e o distanciamento social contribuíram para o aumento dos riscos.”
Ainda segundo ele, familiares próximos, incluindo pais e irmãos, foram responsáveis pela maioria dos abusos durante esse período, sendo o toque genital a violência mais relatada.
Além do professor Ed Wilson, o artigo também é assinado pelas pesquisadoras Gisele Nepomuceno, Lorena Matias, Delma Simão, Elysângela Dittz e Júlia Procópio, todas da Escola de Enfermagem da UFMG.
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