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Posse

Shirley de Miranda e Paulo Nogueira são os novos diretores da FaE

Dupla substitui Andréa Moreno e Vanessa Almeida, responsáveis pela gestão da unidade no ciclo 2022-2026

Por Redação

Faculdade de Educação (FaE), no campus Pampulha
Faculdade de Educação (FaE), no campus Pampulha
Foto: Lucas Braga | UFMG

Nesta terça-feira, 5, às 18h, Shirley Aparecida de Miranda e Paulo Henrique de Queiroz Nogueira tomam posse como diretora e vice-diretor da Faculdade de Educação (FaE) para a gestão 2026-2030. A dupla que compôs a única chapa inscrita na consulta eleitoral realizada no fim do ano passado substituirá Andréa Moreno e Vanessa Ferraz Almeida Neves, que dirigiram a Unidade na gestão 2022-2026. A solenidade ocorre no auditório Professor Neidson Rodrigues, na FaE, com a presença do reitor Alessandro Fernandes Moreira.

Shirley de Miranda assume direção da FaE para gestão 2026-2030
Shirley de Miranda assume direção da FaE para gestão 2026-2030
Foto: Jebs Lima | UFMG

No plano de trabalho apresentado para a consulta eleitoral, Shirley e Paulo Henrique agrupam suas proposições em quatro eixos: gestão democrática; conexões de conhecimentos; qualidade de vida no trabalho e convivência comunitária; e permanência estudantil no contexto das ações afirmativas. “A proposta que trazemos coloca a democracia como desafio permanente e, ao mesmo tempo, como eixo estruturante que se desdobra em outras dimensões, posto que não há democracia sem igualdade racial e de gênero, sem reconhecimento da diversidade e da diferença, sem inclusão social”, anotam.

No primeiro eixo, a dupla fala de seu interesse em estimular ações colaborativas e em “adotar formas de horizontalidade no exercício da gestão”. Relacionadamente a esse tópico, Shirley e Paulo Henrique mencionam, como objetivos, a “defesa insistente da paridade entre os segmentos no enquadramento institucional da UFMG” e o estabelecimento de “canais para planejamento participativo”. Por todo o documento, os novos diretores reiteram sua intenção de apoiar proposições e iniciativas de incentivo às ações afirmativas e à inclusão social e ao combate às diferentes opressões.

Paulo Henrique de Queiroz Nogueira é o novo vice-diretor da FaE
Paulo Henrique de Queiroz Nogueira é o novo vice-diretor da FaE

No segundo eixo, os novos dirigentes falam da intenção de “promover a visibilidade da riqueza que é constitutiva da FaE”, para, em seguida, listarem as estruturas de que a unidade se compõe. No terceiro, destacam a intenção de recompor e ampliar o quadro de docentes e servidores técnico-administrativos da unidade, promover estruturas de acolhimento aos novos ingressantes de todas as categorias e de implantar um projeto de acessibilidade física na FaE, entre outras ações. Por fim, no quarto eixo, os gestores afirmam que pretendem ampliar o diálogo com entidades dos estudantes com vistas a construir, coletivamente, um projeto de permanência estudantil “que considere as dimensões materiais, simbólicas, acadêmica e epistêmica” nos âmbitos da graduação e pós-graduação.

Em diferentes momentos do documento, os gestores apresentam um diagnóstico de “esvaziamento” da unidade, “que se manifesta na baixa frequência e ausência de circulação de pessoas pelo prédio, assim como na [baixa] participação nos diferentes âmbitos de decisão” – em particular, nas comissões e nos cargos de gestão representação.

Balanço da gestão 2022-2026
No relatório de sua gestão, Andréa Moreno e Vanessa Ferraz listam as aquisições/substituições (computadores, servidores, equipamentos etc.), as reformas (como a da rede sem fio da unidade) e as parcerias (por exemplo, com a Pró-reitoria de Assuntos Estudantis, na instalação da Sala de Cuidados Parentais) realizadas durante o ciclo 2022-2026. No período, a gestão aprovou importantes normativas junto à congregação da unidade, como seu primeiro Projeto de Desenvolvimento Institucional (PDI), sua Política Cultural, sua Política Patrimonial e o novo regimento da FaE. Com 41 páginas, o relatório foi apresentado à congregação da unidade nesta segunda-feira, 4.

“Mais do que revelar um conjunto de ações pontuais”, escrevem as diretoras, o documento “vislumbra dar suporte para a próxima gestão: pontuando sucintamente o que foi realizado, avaliando os setores administrativos e percorrendo temáticas que julgamos relevantes do ponto de vista da gestão administrativa”. Com efeito, o relatório apresenta avaliações organizadas por setores e por temas que parecem escritas com foco tanto em prestar contas para a comunidade e para as instâncias reguladoras da Universidade quanto em orientar os novos diretores sobre o atual cenário da unidade, facilitando o início do seu trabalho.

Andréa Moreno e Vanessa Ferraz, ao centro, ladeadas pelas servidoras Roberta Morato, secretária geral., e Marcela Matos Alcântara, secretária da Direção
Andrea Moreno e Vanessa Ferraz, ao centro, ladeadas pelas servidoras Marcela Matos Alcântara, secretária da Direção, e Roberta Morato, secretária geral
Foto: Relatório de gestão 2022-2026

Profissionalização da gestão
No relatório, chama a atenção a tentativa feita pela gestão de dinamizar a burocracia e eliminar as “reuniões que poderiam ser um e-mail”, como se diz na piada corporativa. No documento, Andréa Moreno e Vanessa Ferraz falam da “queixa quase unânime” que ouviam sobre um excesso de reuniões que “muitas vezes, não se desdobravam em ações concretas”. “Houve uma percepção, ainda antes de assumirmos a Direção, de que reuniões sem fins deliberativos, com pautas amplas e difusas, sem instrução de documentos de base, se mostravam cada vez mais esvaziadas e sem repercussão no coletivo”, anotam. Diagnosticado o problema, elas então buscaram organizar sua gestão priorizando as instâncias colegiadas e, no caso da direção, a Congregação como órgão máximo de discussão e aprovação de decisões.

Concomitantemente, para que a Congregação fosse de fato uma instância colegiada representativa, agiram “no sentido de recompor as representações de técnicos-administrativos e do corpo discente, que há muito não participavam dessa instância”. De modo geral, o relatório chama atenção por tentativas como essa de se eliminar as burocracias contraprodutivas, mas também pelo esforço de construir burocracias produtivas, em processos carentes de alguma melhor sistematização objetiva. Um exemplo disso foi a criação de uma normativa, com barema próprio, voltada para a regulação do processo de ocupação de salas por grupos e núcleos de pesquisa.

“Somos gratas à oportunidade que nos foi concedida de dirigir a FaE ao longo de quatro anos, tarefa que realizamos com muita ética, transparência e seriedade. Dirigir uma unidade acadêmica exige atenção às normas e uma postura inegociável com os princípios de uma universidade pública. Foi o que, acreditamos, norteou nossas ações”, anotam Andréa Moreno e Vanessa Ferraz no documento. “Agradecemos à toda comunidade, ressaltamos todo o aprendizado ao longo desse período. Nosso compromisso com a Faculdade de Educação permanece e estamos à disposição das próximas gestões para o que se fizer necessário”, afirmam.

Os novos gestores

Shirley Aparecida de Miranda
Professora do Departamento de Administração Escolar da FaE, Shirley Aparecida de Miranda é graduada (1993) em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas) e mestre (1998) e doutora (2008) em Educação pela UFMG, com pós-doutorado (2016) em Ciências Sociais, realizado no Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra, Portugal. Foi pró-reitora Adjunta de Assuntos Estudantis (Prae).

A nova diretora integra a equipe de docentes da Formação de Intercultural de Educadores Indígenas (Fiei), curso de licenciatura oferecido desde a FaE. Em suas pesquisas, desenvolve investigações sobre políticas educacionais e diversidade étnico-racial e cultural com enfoque na educação indígena e na educação quilombola, tematizando raça e descolonização de processos educativos.

Paulo Henrique de Queiroz Nogueira
Professor do Departamento de Ciências Aplicadas à Educação, Paulo Henrique de Queiroz Nogueira é graduado (1989) em Filosofia pela Universidade Estadual do Ceará (Uece) e mestre (2000) e doutor (2006) em Educação pela UFMG, com pós-doutorado (2016) em Educação realizado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS). Atua principalmente nos seguintes temas: filosofia da diferença, gênero, diversidade sexual e escolarização.

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