UFMG vai conduzir demarcação física de terra indígena no Mato Grosso
Trabalho será feito em parceria e sob a supervisão técnica da Funai
Por Dayse Lacerda e Gabriel Marcello | Comunicação FCO
O Instituto de Geociências (IGC) da UFMG está começando os procedimentos técnicos para a demarcação física da Terra Indígena Kawahiva do Rio Pardo, localizada no município de Colniza, no noroeste do estado de Mato Grosso. Com a liberação de recursos no valor de R$ 2,1 milhões e a aprovação de plano de trabalho pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), pesquisadores liderados pela professora Sónia Maria Carvalho Ribeiro, do Departamento de Cartografia e do Centro de Sensoriamento Remoto (CSR), estarão em campo para atividades de georreferenciamento, implantação de marcos físicos e instalação de placas de indicação dos limites, entre outros, da terra indígena ocupada pelo povo isolado Kawahiva.
Abrangendo área de 411.844 hectares e aproximadamente 323 quilômetros de perímetro, a região foi declarada de posse permanente da etnia Kawahiva por meio da Portaria 481, de 19 de abril de 2016. No fim de 2025, a Funai assinou termo de execução descentralizada com a UFMG para realização das atividades técnicas especializadas relacionadas à demarcação física. O objetivo central é fornecer suporte técnico-científico para subsidiar a demarcação física, conforme previsto na legislação brasileira.
A demanda pela demarcação do território dos Kawahiva se estende há quase 30 anos, desde a confirmação da existência da etnia pela Funai. Sem a conclusão do processo demarcatório, a área e o povo que nela habita permanecem expostos a riscos relacionados ao desmatamento, à grilagem de terras, ao garimpo e à expansão do agronegócio. De acordo com o Instituto ClimaInfo, o histórico de invasões ao território já teria resultado na morte de pelo menos um indígena.
Para a professora Sónia Maria Carvalho Ribeiro, a cooperação técnica da UFMG é uma forma de garantir suporte especializado em topografia e cartografia para demarcação física de territórios indígenas em respeito à territorialidade e identidade cultural desses povos. “É uma grande responsabilidade, mas também um orgulho contribuir diretamente para proteção dos direitos do povo Kawahiva”, ressalta a professora, que tem formação em engenharia florestal.
A Demarcação física da Terra Indígena Kawahiva do Rio Pardo, localizada no noroeste do estado de MT é um projeto de extensão gerenciado pela Fundação Christiano Ottoni, no valor de R$5,5 milhões, e envolve o trabalho de aproximadamente 60 pesquisadores. A duração do projeto será de um ano e oito meses.
Demarcação no Pará
A UFMG dispõe de reconhecida expertise em geotecnologias, análise territorial, cartografia temática, sensoriamento remoto e produção de documentos técnicos para regularização fundiária e territorial, garantindo rigor científico, independência técnica e conformidade com os normativos federais.
Em 2025, o Departamento de Cartografia foi responsável pela demarcação física da terra indígena Kaxuyana-Tunayana, com aproximadamente 144 quilômetros de perímetro, localizada no norte do Pará, divisa com o Amazonas. Também sob a gestão administrativa e financeira da Fundação Christiano Ottoni, o trabalho de campo referente a essa atividade, incluindo serviços topográficos e cartográficos, envolveu montante aproximado de R$7 milhões.
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