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OBESIDADE

Grupo busca voluntárias para estudo sobre jejum intermitente e perda de peso

Pesquisadores vão acompanhar cerca de 80 voluntárias durante um ano

Por Luana Macieira

Apesar de fundamental, mudança de hábitos é obstáculo para a perda de peso em mulheres
Foto: Paulo Pinto | Agência Brasil

O Grupo de Pesquisa Imunometabolismo, da Escola de Enfermagem da UFMG, está recrutando mulheres de 20 a 44 anos que desejam perder peso para participar de um estudo que avaliará como dois tipos de dieta podem promover mudanças no organismo. As voluntárias devem ter Índice de Massa Corporal (IMC) entre 30 e 40 kg/m², calculado pela divisão do peso pela altura ao quadrado, e não podem fazer uso de medicamentos para diabetes, hipertensão, colesterol ou emagrecimento.

A pesquisa é coordenada pela professora Adaliene Ferreira, do Departamento de Nutrição. As voluntárias deverão ter disponibilidade das 7h30 às 13h30 para a avaliação inicial e de uma hora e meia para as consultas de acompanhamento, que ocorrerão a cada 15 dias e, posteriormente, uma vez por mês. O acompanhamento terá duração de um ano.

Segundo Adaliene, o estudo busca investigar as alterações que ocorrem no organismo durante a perda de peso por meio da redução da ingestão calórica e da restrição do período de alimentação, estratégia conhecida como jejum intermitente. “Com o acompanhamento das voluntárias, será possível compreender como essas duas abordagens – a redução da ingestão calórica e o jejum intermitente – podem contribuir para a melhora de funções metabólicas e imunológicas comprometidas pela obesidade”, afirma a professora.

A pesquisadora explica que o estudo possibilitará observar a flexibilidade metabólica, isto é, a capacidade do organismo de alternar o uso de diferentes fontes de energia. Em períodos de jejum, o corpo utiliza principalmente gordura; após a alimentação, passa a utilizar carboidratos. “Na obesidade, há uma perda dessa capacidade de alternar o uso dos substratos energéticos. Nesta pesquisa, vamos avaliar se estratégias dietéticas baseadas na restrição calórica ou na restrição do período de alimentação (jejum intermitente) são capazes de restabelecer essa flexibilidade, comprometida pela obesidade”, explica.

Ela acrescenta que os resultados do estudo poderão fornecer evidências para subsidiar profissionais de nutrição e de outras áreas da saúde na indicação de abordagens terapêuticas mais benéficas aos pacientes. As interessadas em participar da pesquisa podem entrar em contato pelo telefone (37) 99164-3211.

Problema de saúde pública
Dados do levantamento Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), divulgado pelo Ministério da Saúde no início deste ano, mostram que o número de adultos brasileiros com obesidade cresceu 118% entre 2006 e 2024. No mesmo período, também foi registrado aumento expressivo na prevalência de outras condições crônicas, como diabetes (135%), excesso de peso (47%) e hipertensão (31%). O levantamento traça um retrato da população brasileira em relação aos fatores de risco e de proteção para o desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis, além de abordar hábitos alimentares e a prática de atividades físicas.

Adaliene Ferreira ressalta que a obesidade é uma doença que requer tratamento efetivo, mas reconhece que a adesão costuma ser um desafio, já que a reeducação alimentar e a prática de atividade física, principais estratégias terapêuticas, exigem mudanças de hábitos por parte dos pacientes. Nesse contexto, ela afirma que o estudo desenvolvido pelo grupo da Escola de Enfermagem poderá contribuir para a compreensão dos efeitos metabólicos da perda de peso e para o desenvolvimento de estratégias terapêuticas mais eficazes.

“Agora temos as canetas emagrecedoras, que funcionam como estratégia para auxiliar o paciente a construir as mudanças de hábitos necessárias. Nenhum tratamento substitui a modificação no estilo de vida, pois, se a pessoa interrompe o uso dos medicamentos, recupera o peso. Daí a importância de estudos que nos ajudem a planejar tratamentos multifatoriais”, conclui.

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