Morre José Adolfo Moura, um dos fundadores do Festival de Inverno e ex-diretor da EBA
Professor também criou o programa ‘Dango Balango’, exibido pela Rede Minas, e dirigiu curta-metragem sobre o Presépio do Pipiripau
Por Redação
•Com informações do jornal Estado de Minas e da Fundação de Educação Artística (FEA)
Integrante do grupo fundador do Festival de Inverno da UFMG, em 1967, o professor José Adolfo Moura, do Departamento de Fotografia e Cinema da Escola de Belas Artes (EBA), morreu nesta sexta-feira, dia 27. Adolfo, que tinha 83 anos, estava internado, desde a terça-feira, dia 24, no Hospital Madre Teresa, onde sofreu uma parada cardíaca. O velório será realizado neste sábado, 28, das 11h às 15h, no Funeral House (Avenida Afonso Pena, 2.158 – bairro Funcionários).
Em nota, a Escola de Belas Artes lamentou a morte do professor, que “dedicou sua vida à formação de gerações de artistas, pesquisadores e educadores, sempre orientado por um compromisso ético com a universidade pública e com a valorização das múltiplas expressões culturais”.
Nascido em São Sebastião do Paraíso, no Sul de Minas, José Adolfo Moura foi um dos primeiros alunos da Fundação de Educação Artística (FEA), onde estudou piano. Mais tarde, tornou-se professor de musicalização e improvisação. No campo da educação musical, especializou-se no Método Orff, em Salzburgo (Áustria), abordagem que integra improvisação, fala, movimento corporal, canto e o uso de instrumentos melódicos e percussivos.
Entre a repressão e a criação
Em 1967, ele foi um dos fundadores do Festival de Inverno da UFMG, em Ouro Preto, tendo atuado nas coordenações geral e adjunta por vários anos. Adolfo foi testemunha e um dos protagonistas da efervescente atmosfera cultural e política que marcou os primeiros anos do evento em plena ditadura militar. “Eram anos de muita repressão, mas também de muita criação e experimentação artística”, relatou Moura, em entrevista à Revista Diversa, em 2005.
Um dos episódios de maior repercussão que presenciou foi a conturbada passagem do grupo teatral norte-americano Living Theatre por Ouro Preto, no início da década de 1970, que resultou na prisão e deportação de seus integrantes. À época da entrevista, Moura afirmou não saber ao certo o motivo da prisão, mas lembrou que “o governo militar brasileiro queria mostrar sua força e se ver livre das idéias libertárias do grupo”.
José Adolfo Moura foi diretor da EBA e também lecionou no Centro Pedagógico da UFMG. Como parte de sua dissertação de mestrado em cinema defendida na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP), ele dirigiu o curta-metragem Nascimento, paixão e morte segundo Pipiripau (1989). O documentário reúne imagens raras do criador do presépio, Raimundo Machado, autor de uma obra que retrata a vida de Jesus Cristo em 45 cenas, por meio de 580 figuras móveis. O filme foi rodado originalmente em 38mm e está disponível no canal do Museu de História Natural e Jardim Botânico (MHNJB) no Youtube após ter sido digitalizado pelo servidor Osger Machado (assista ao fim desta notícia).
Além de sua atuação na UFMG, José Adolfo Moura também foi secretário adjunto de Cultura de Belo Horizonte, de 1989 a 1992. Ele foi um dos idealizadores e coordenadores do projeto Música na Escola, implantado, na rede estadual de ensino, na segunda metade da década de 1990, com foco na alfabetização musical. Em 2006, criou o programa infantil Dango Balango, da Rede Minas, protagonizado por bonecos do Grupo Giramundo e com trilha sonora da banda Pato Fu. A atração é exibida até os dias atuais.
José Adolfo deixa a mulher, Cecília, e os filhos Ana e Pedro Motta.
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