07 fatos que vão alterar sua percepção sobre o tempo! – Espaço do Conhecimento UFMG
 
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07 fatos que vão alterar sua percepção sobre o tempo!

Há quanto tempo atrás está o passado? É o minuto ou o século que se passou? O que, de fato, é o presente? 

 

23 de abril de 2024

 

Tentamos, a todo momento, colocar a história humana em uma linha temporal reta, cujos eventos se desencadeiam um após o outro, de maneira organizada e cadenciada. Mas o tempo se dobra, desdobra e se entrecruza! O que pensamos enquanto reta, tem adjacências, derivações e muitos pontos de encontro.

 

Acontecimentos que parecem estar distantes no tempo, há anos, décadas ou séculos um do outro, podem se mostrar mais próximos do que se imagina! Hoje, o Blog do Espaço vai bagunçar a sua mente e, quem sabe, mudar a forma como você entende o tempo e sua influência na nossa organização de mundo. Confira, abaixo, 07 fatos que vão alterar sua percepção temporal!

 

1. Enquanto a Europa sofria com a Peste Bubônica, grandes impérios e fabulosas cidades surgiam na América

Tenochtitlán. (Créditos: DEA PICTURE LIBRARY – DE AGOSTINI. Via Getty Images). 

 

A terrível doença, a mais devastadora da história, assolou países europeus durante o século XIV e teve seu pico entre os anos de 1346 e 1353, dizimando cerca de 1/3 da população do continente. A Peste Bubônica surgiu do bacilo Yersinia pestis, presente nas pulgas dos ratos que infestavam as ruas da época. Sua proliferação generalizada se deu, em grande parte, pelas precárias condições de higiene e habitação das vilas medievais. Essa epidemia integrou, entre muitos outros, a série de acontecimentos que contribuíram para a crise da Baixa Idade Média.

 

Enquanto isso, aqui pelas Américas, a cidade asteca de Tenochtitlán, fundada em 1325 no Vale do México, chegava a 300 mil habitantes! Conhecida por sua grandeza e modos de vida sofisticados, a capital asteca era uma ilha que ficava no meio do lago Texcoco, posteriormente aterrado pelos invasores espanhóis. No auge da Peste Bubônica, o Império Asteca se desenvolvia a passos rápidos, incorporando o cálculo, a arquitetura e a astronomia ao seu dia a dia.

 

2. O Império Otomano ainda existia quando foi fundada a Universidade Federal do Rio de Janeiro

Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ. (Créditos: Reprodução/Conexão UFRJ).

 

Impérios parecem coisa de um passado distante, não é mesmo? Acredita, então, que a Universidade Federal do Rio de Janeiro foi criada dois anos antes do fim do Império Otomano, pelo então presidente do Brasil, Epitácio Pessoa? Esta superpotência imperial esteve presente nos mais diferentes e esparsos momentos da história, tendo início no longínquo ano de 1300. Em novembro de 1922, a Grande Assembleia Nacional aboliu o cargo de sultão e encerrou os quase 600 anos de história da dinastia Osmanli, família que liderou o Império desde sua fundação até sua dissolução e o expandiu por três continentes. 

 

Dois anos antes, em 1920, três instituições criadas após a fuga da família real portuguesa para o Brasil, a Escola de Engenharia, a Faculdade de Medicina e a Faculdade de Direito foram unificadas sob a UFRJ, conhecida à época como Universidade do Rio de Janeiro (URJ).

 

3. Cleópatra viveu em uma época mais próxima da invenção do Instagram do que da construção da Grande Pirâmide de Gizé

Cleópatra. (Créditos: Reprodução/Cadena SER).

 

Quem diria que a rainha mais famosa do Egito estaria temporalmente mais próxima de qualquer tecnologia digital do que da construção deste monumento egípcio? Cleópatra nasceu em 69 a.C e pertencia à uma dinastia grega antiga que tomara o poder do Egito em 305 a.C. A figura histórica, mais do que amante de Júlio César e Marco Antônio, foi uma política astuta de reputação quase lendária. Cleópatra morreu há pouco mais de 2.000 anos, em 30 a.C., possivelmente se deixando picar por uma espécie de cobra venenosa frente às ameaças ao seu governo. 

 

Já o suntuoso monumento de 137 metros de altura e fruto do trabalho de 100 mil pessoas, a Grande Pirâmide de Gizé, foi finalizado em meados de 2550 a.C. Ou seja, há uma diferença de quase 2.500 anos entre este marco e o período de vida da rainha do Egito! Considerando que o Instagram foi lançado em 2010, 2.040 anos depois da morte de Cleópatra, ela está mais próxima da rede social do que de sua conterrânea e Maravilha do Mundo Antigo, a Grande Pirâmide!

 

4. Algumas das baleias vivas nos dias de hoje nasceram antes da história de “Moby Dick” ser escrita, em 1851

Baleias da Groenlândia. (Créditos: Reprodução Folha de S. Paulo).

 

Considerada umas das maiores obras da literatura universal, “Moby Dick” é narrada pelo tripulante Ismael, único sobrevivente do naufrágio do navio baleeiro Pequod. O personagem conta a saga de vingança travada pelo Capitão Ahab contra a baleia cachalote Moby Dick, que arrancou-lhe a perna. A obra-prima de Herman Melville inspirou outros grandes escritores, com sua ousada mistura de filosofia, liricismo, relato de viajante e texto científico.

 

Apesar de seu ano de lançamento, 1851, nos parecer muito distante, considerando que o Brasil ainda vivia sob o regime monárquico ou que a escravidão não havia sido abolida, existem hoje baleias mais velhas que o clássico literário do século XIX! 

 

Cientistas afirmam que as baleias-da-groelândia, também donas do título de gestação mais longa entre mamíferos, podem ultrapassar confortavelmente a marca de um século e viver mais de 200 anos. É possível, então, que existam baleias por aí muito mais velhas que a história de Moby Dick!

 

5. A Universidade de Harvard foi fundada antes de Isaac Newton publicar suas leis de movimento e gravidade

Principia Mathematica. (Créditos: Flickr).

 

Embora não seja tão antiga quanto Oxford, que começou a dar aulas em 1096 (até mesmo antes da constituição do Império Asteca!), Harvard é uma universidade bastante antiga e ainda muito prestigiada. Por lá, já passaram alunos como Mark Zuckerberg, Margaret Atwood, John F. Kennedy e mais uma porção de presidentes dos Estados Unidos. Ela foi fundada em 1636, na cidade de Cambridge (Massachusetts), sendo a mais antiga e conhecida universidade dos EUA e uma das “Ivy League”, grupo de instituições privadas de excelência no país.

 

O surpreendente é que o matemático e físico Isaac Newton só publicou sua obra “Principia Mathematica”, onde destacava suas Leis do Movimento e a Lei da Gravitação Universal, depois de cerca de 50 anos do surgimento de Harvard! O livro, um marco histórico, propôs um novo ideal de ciência e elevou Newton como um dos principais nomes da física e uma figura de prestígio.

 

6. Plutão não conseguiu completar nem uma órbita em volta do Sol entre o ano em que foi descoberto e o ano em que foi desclassificado como planeta

Plutão. (Créditos: NASA).

 

Plutão, cujo nome homenageia o deus romano do submundo, foi descoberto em 1930 pelo astrônomo estadunidense Clyde Tombaugh. Com suas cinco luas (Caronte, Nix, Hidra, Cérbero e Estige), é cinco vezes menor que a Terra. Plutão foi considerado o nono planeta a orbitar o Sol até 2006, quando passou a ser classificado como planeta-anão pela União Astronômica Internacional, por não ser capaz de “limpar sua órbita”, nem ser o corpo principal dela, que se cruza com a órbita de Netuno. 

 

Devido à sua distância do Sol, Plutão leva 248 anos terrestres para completar uma órbita ao seu redor, ou seja, completar um ano plutoniano. Isso significa que ele não percorreu nem metade deste longo caminho durante o período em que foi considerado um planeta.

 

7. Se a história do Universo fosse colocada em um calendário, os humanos só existiriam por volta das 23:59 do dia 31 de dezembro

Calendário Cósmico. (Créditos: Museu Aberto de Astronomia).

 

O famoso Calendário Cósmico do cientista planetário e astrônomo Carl Sagan mexeu com a cabeça de muita gente em sua aparição na série “Cosmos”! Dividindo a idade do universo pelos 365 dias do ano, ele chegou à conclusão de que cada segundo equivale a cerca de 434 anos e 5 meses; cada minuto a aproximadamente 30 mil anos; cada hora a cerca de 1.6 milhões de anos; cada dia a 38 milhões de anos, e, assim, cada mês a 1,1 bilhão de anos.

 

Carl provou que, de fato, “o tamanho e a idade do Cosmos estão além da compreensão humana comum”. Segundo o calendário, o dia 1° de janeiro, às 0 horas, 0 minutos, 0 segundos e 1 milésimo de segundo marcaria o Big Bang, a grande explosão que deu início a tudo. No dia 26 de janeiro, forma-se a Via Láctea. Já a Terra, só vai surgir no dia 24 de setembro. Os dinossauros surgem em 25 de dezembro e são extintos logo depois, na manhã do dia 30 do mesmo mês.

 

E onde está a vida humana? Bem, toda a história da raça humana ocuparia apenas um pouco mais do que o último minuto da última hora do último dia do ano! Somente às 23:59 de 31 de dezembro, nos últimos milésimos, estaria você, leitor, finalizando mais um texto do Blog do Espaço! Surreal, não é mesmo? 

 

 

Se você é apaixonado pelos mistérios do tempo e do espaço, a exposição “Demasiado Humano” no Espaço do Conhecimento UFMG é imperdível! Venha explorar o universo de forma envolvente e fascinante. Nos vemos por lá!

[Texto de autoria de Maria Eduarda Abreu, estudante de Jornalismo e estagiária do Núcleo de Comunicação e Design]

 

Referências

Blog: Ensinar História

17 fatos que vão bagunçar totalmente a sua percepção do tempo

 

Para Saber Mais

Cosmos: Uma Viagem Pessoal (1980)

Cleópatra: a história de uma das rainhas mais poderosas de todos os tempos

O que é o calendário cósmico e como ele explica a história do universo?