Museus como Espaços de Educação Não Formal – Espaço do Conhecimento UFMG
 
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Museus como Espaços de Educação Não Formal

Este é mais um texto do “Espaço aberto a Educadores”, coluna do Blog do Espaço especialmente voltada aos professores e educadores! Convidamos vocês a ler os outros textos já publicados, disponíveis aqui.

 

Os museus não são instituições paradas no passado. Ao contrário, estão sempre evoluindo. Neste processo, já faz algum tempo que sua dimensão educacional vem sendo cada vez mais reconhecida e valorizada. No entanto, a educação nos museus não acontece da mesma forma que nas escolas. Assim, dizemos que museus são espaços de educação não formal. Quais seriam as diferenças entre a educação formal – aquela que acontece nos espaços escolares -, e a não formal?

 

Primeiro, podemos pensar na figura do educador. Na escola, os educadores são as professoras e professores. Nos espaços não formais, não há um educador em especial: quem educa é o “outro” com quem vamos interagir, e são vários os “outros” envolvidos. No Espaço do Conhecimento UFMG, por exemplo, essa troca acontece entre estudantes e mediadores, colegas e professores, e até mesmo com a própria exposição.

 

Alunos da EE Anísio Teixeira visitam a exposição Colecionar o Mundo

 

Podemos pensar ainda em termos de objetivos e metodologias. De um lado, a educação formal segue um currículo pré-estabelecido, com base nas diretrizes nacionais, e tem como objetivo o ensino e aprendizagem de conteúdos, habilidades e competências sistematizados. Já a educação não formal se baseia em processos interativos intencionais e voluntários que buscam ampliar a percepção de mundo dos envolvidos através da troca de experiências. É nessa troca que os objetivos se definem e redefinem o tempo todo, para uma formação sociocultural e política.

 

Cada um que chega ao museu traz consigo uma série de saberes e vivências que serão confrontados com os conhecimentos, fatos e objetos sobre os quais aquele espaço convida a refletir e também com saberes e vivências dos outros sujeitos com os quais vai interagir. Na troca de experiências, os mediadores do Espaço do Conhecimento UFMG sempre aprendem coisas novas com os visitantes e incorporam isso à sua prática cotidiana. É muito comum que, durante as visitas escolares, alunos queiram colocar seus pontos de vista, contar histórias, comentar sobre um vídeo do Youtube que possui relação com o tema da exposição, etc. A escuta faz parte do processo de visita.

 

Processo de troca e escuta durante visita ao museu

 

Por fim, podemos refletir sobre como esses modelos se organizam. Se na escola estamos organizados por idade, séries, conteúdos, etc., nos processos não formais de educação os grupos se definem por interesses comuns e constroem uma identidade coletiva, que considera as diferenças como seu ponto de partida. A educação não formal não acontece apenas em um momento específico da vida. Está aberta a todos: crianças, jovens, adultos e idosos. Os museus são ambientes muito interessantes para a promoção desse encontro entre diferentes públicos e gerações, assumindo-se como um espaço de experimentação, movimento, improviso e construção de novos paradigmas educacionais. Esses encontros são potencializados nas visitas espontâneas, nas oficinas e debates e outros encontros que ocorrem nas programações de fim de semana aqui do Espaço. Nem sempre, porém, é possível vir ao museu espontaneamente. E é por isso que também criamos momentos específicos para receber os grupos escolares, entre eles, as turmas de Educação de Jovens e Adultos.

 

Os espaços não formais, como os museus, são, portanto, especialmente importantes para desenvolver dimensões como solidariedade, autoestima, empoderamento social e cidadania. Não significa, é claro, que a escola também não trabalhe com uma formação cidadã e humanista ampla, mas o faz de forma diferente. Ambos os processos evoluem juntos, à medida que o nosso entendimento sobre a educação de forma geral também evolui.

 

Para ampliar:

GOHN, Maria da Glória. Educação não formal, participação da sociedade civil e estruturas colegiadas nas escolas. Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação, Rio de Janeiro: Fundação CESGRANRIO, v. 14, n. 50, p. 27-38, jan./mar. 2006.

MARANDINO, M. et al. Faz sentido ainda propor a separação entre os termos educação formal, não formal e informal? Ciênc. Educ., Bauru, v. 23, n. 4, p. 811-816, 2017.

 

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