Ceale comemora dez anos como
referência para o ensino brasileiro
Centro já capacitou milhares de educadores e conta com acervo
onde estão relíquias e 925 pesquisas sobre alfabetização
Ana Carolina Fleury
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tuação
destacada na área de alfa- betização e letramento. Mais
de vinte publicações produzidas. Rico acervo contendo manuais,
imagens, livros e quase mil dissertações e teses de todo o país.
Essa é a bagagem do Centro de Alfabetização, Leitura
e Escrita (Ceale) da Faculdade de Educação, que comemorou em
dezembro seu décimo aniversário de fundação.
Gerado a partir das atividades desenvolvidas na pós-graduação da FaE pela professora Magda Becker Soares, o Ceale ajudou a formar grande número de pesquisadores em alfabetização e escrita, procurando reuni-los em estudos comuns. O Centro possui cerca de 120 participantes, oriundos da FaE e de outras unidades da UFMG, de instituições de ensino superior brasileiras, do MEC e das secretarias municipal e estadual da Educação. As principais linhas de trabalho do grupo estão em torno da pesquisa, documentação e prestação de serviços. Segundo Maria Lúcia Castanheira, diretora do Ceale, o Setor de Documentação e Memória é formado por um extenso acervo que recupera a história do ensino em Minas Gerais e no Brasil. "Temos verdadeiras relíquias como cadernos de professores e alunos do início do século até a década de 70 e antigas palmatórias", diz.
Maria Lúcia explica que a parte informatizada do acervo oferece um catálogo com 925 teses e dissertações sobre alfabetização, produzido especificamente para a pesquisa Alfabetização no Brasil: estado do conhecimento.
Letramento
De acordo com Maria Lúcia, os projetos de pesquisa realizados atualmente no Ceale procuram compreender o fenômeno do letramento no país, conceito recentemente implantado no contexto brasileiro. O termo difere de alfabetização por não designar o processo individual de apropriação da leitura e escrita, mas os resultados e conseqüências desse processo para grupos sociais. Os pesquisadores do Centro são formados pelo Núcleo de Pesquisa Educação & Linguagem, ligado à pós-graduação da FaE. Também são produzidas pesquisas encomendadas.
Durante
sua primeira década de atividades, o Ceale priorizou a socialização
de conhecimento e a troca de experiências entre professores. Para isso,
foram organizados dois tipos de programa: o Ceale Debate, que convida docentes
de outras instituições e alunos com pesquisas em andamento para
apresentações; e o Perspectivas Ceale, que envia estudos da
FaE para algumas escolas e traz, posteriormente, os educadores para debates
com os autores dos trabalhos. Maria Lúcia ressalta ainda a prestação
de serviços técnico-científicos, que se desdobra, por
exemplo, em análises de livros didáticos e produção
de resenhas para o MEC. Segundo ela, já foram produzidas avaliações
de livros infantis e de dicionários. Há ainda projetos de formação
de professores através de cursos oferecidos em todo o território
nacional. "Já capacitamos, desde 1994, milhares de educadores
no interior de Minas e em outros estados", afirma a diretora.
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