‘A UFMG nunca sairá de cada um de nós’, diz presidente do STF, Cármen Lúcia, em cerimônia de entrega da Medalha de Honra
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Carmen Lúcia. Foto: Foca Lisboa/UFMG

Uma das 15 personalidades homenageadas pela UFMG com a Medalha de Honra, a ministra e presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia Antunes Rocha, declarou na noite desta segunda-feira, dia 3, que não se sente uma ex-aluna da Instituição. “Ao chegar novamente a esse campus, é como se a saída física nada significasse. A Universidade nunca sairá de cada um de nós”, afirmou a ministra.

Para ela, que concluiu o mestrado na UFMG em 1982, a homenagem é “oportunidade de honrar o sonho dos antigos professores”. Sua conduta profissional, considerada rigorosa, foi inspirada, ela revelou, na atuação de seus professores. “Se vivesse 100 vezes, gostaria de ter sempre os mesmos mestres. Com toda certeza, nunca desistirei de tentar consolidar o sonho de um país mais justo, que eles sonharam antes de mim. Posso não conseguir fazer muito, por conta de meus limites humanos, mas tentarei passar a missão para os que vierem depois”, disse.

 

Contribuições singulares

 

Na cerimônia, realizada no auditório da Reitoria, os 15 homenageados, todos graduados na UFMG e que hoje são referências em suas áreas de atuação, foram saudados pelo reitor Jaime Ramírez [foto]. Segundo ele, a UFMG se orgulha de abrigar personalidades que não apenas se empenharam com esmero ao seu dever de ofício, mas que se dedicaram também em prol do bem comum e da nação.

“A instituição é, sem dúvida, maior do que todos nós, mas ela se nutre sempre das contribuições singulares e significativas de cada um de seus membros”, afirmou. E acrescentou: “Podemos asseverar, eu e professora Sandra [Goulart Almeida, vice-reitora], que se trata de um grande prazer remexer no passado, às vezes mais recente, às vezes menos, para na presente cerimônia homenagear alunos e alunas da UFMG cuja atuação na sociedade tenha sido pautada pela competência profissional, pelo compromisso ético e pela responsabilidade social e luta em favor da plena cidadania”.

Citando outras figuras de destaque que também passaram pela UFMG, como Guimarães Rosa e José Murilo de Carvalho, Jaime Ramírez disse que “todos os que concluem os seus estudos, levam consigo um pouco da UFMG”. “Vocês serão sempre UFMG, em nossos corações e em nossas memórias, não importa onde estiverem”, finalizou. Leia a íntegra do discurso do reitor.

Antes da cerimônia, em recepção aos homenageados na Sala de Sessões da Reitoria, o cirurgião-dentista Martinho Campolina Rebello Horta [foto], que também recebeu a Medalha, disse que sua trajetória na UFMG, concluída em 1995, foi marcada por mestres extremamente dedicados e amantes da profissão. “Sempre volto para reencontrá-los, discutir casos e aprender um pouco mais. Hoje vivo uma das maiores emoções da minha vida”, afirmou.

Também agraciado, o professor Rogério Bianchi Brasil, graduado na Escola de Música da UFMG em 1992, se disse feliz e honrado. “Aqui fiz muitas amizades, que perduram até hoje. E o que a gente leva das experiências sempre são as pessoas”, completou. Rogério Bianchi é diretor da Escola de Música da Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg).

Cláudia Andrade de Barros [foto] é coordenadora do Centro de Educação Ambiental Venda Nova, vinculado à Prefeitura de Belo Horizonte, e recebeu a homenagem por indicação da Escola de Ciência da Informação (ECI), onde se graduou em 1992.

A biblioteconomista contou que, na UFMG, aprendeu sobre o valor da informação, e como ela pode transformar a vida do ser humano. “Todos os professores eram militantes dessa causa. Isso foi muito significativo para minha formação”, disse.

Casos do Ziraldo

Também homenageado com a Medalha de Honra, o escritor e cartunista Ziraldo [foto] narrou algumas das lembranças que marcaram sua trajetória como estudante de Direito, curso que concluiu em 1957.

Em certa ocasião, segundo ele, precisou convencer seu professor de Francês a aprová-lo na disciplina, já que havia obtido apenas a nota 3,5 em uma avaliação. Ao ser repreendido, pois, segundo o professor, o domínio daquele idioma era fundamental para o exercício da profissão, Ziraldo respondeu dizendo que jamais atuaria como advogado, mas desejava se formar para orgulhar o pai. “Depois que prometi e até jurei que não trabalharia como advogado, ele me deu a nota de que eu precisava”, contou o escritor.

Ziraldo definiu como “brilhante” a turma na qual se graduou e disse que ainda mantém contato com os antigos colegas. “É uma turma poderosa”, afirmou.

Homenagens póstumas e distinções especiais

Parte do Programa Sempre UFMG, a Medalha de Honra foi criada em 2000. Desde então, já foi entregue a 123 personalidades graduadas na UFMG, nove das quais homenageadas postumamente, como os poetas Carlos Drummond de Andrade e Emílio Guimarães Moura – este graduado em Direito e aquele em Farmácia – , o presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira e o escritor João Guimarães Rosa, ambos formados em Medicina. Além disso, em 2008, foi conferida distinção especial a 11 alunos mortos em decorrência de sua luta contra o regime militar.

A outorga se dá por proposição das unidades acadêmicas originárias de cada homenageado, além de indicações especiais da Reitoria. Professores, pesquisadores e funcionários vinculados à Instituição não podem receber a comenda, já que não se trata de homenagem de cunho acadêmico.

Veja catálogo com a relação e breve currículo dos homenageados na noite de ontem.

Cerimônia realizada no auditório da Reitoria reuniu homenageados, familiares e a comunidade universitária. Foto: Foca Lisboa/ UFMG

Cerimônia realizada no auditório da Reitoria reuniu homenageados, familiares e a comunidade universitária. Foto: Foca Lisboa/ UFMG

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