Aleijadinho agradece
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Revitalização do complexo envolve equipe multidisplinar. Foto: Carol Prado/ UFMG

Revitalização do complexo envolve equipe multidisciplinar. Foto: Carol Prado/ UFMG

 

Monumento e espelho d´água que formam conjunto arquitetônico da Reitoria são revitalizados

 

POR ANA RITA ARAÚJO*

Estão em processo final de restauração e manutenção o monumento em homenagem a Aleijadinho e o espelho d’água que integram o conjunto arquitetônico e paisagístico da Reitoria, tombado pelo Patrimônio Histórico e Cultural de Belo Horizonte. Os trabalhos de intervenção incluem revestimento da escultura de autoria do arquiteto Sylvio de Vasconcellos, com material original – pastilhas de pedra-sabão serpentinita – e recuperação da estrutura do reservatório, que exibe em seu piso a forma de um peixe. Essa iniciativa integra as comemorações dos 90 anos da UFMG.

A sistemática construtiva e suas particularidades foram definidas e estão sendo executadas pela equipe técnica dos departamentos de Manutenção e Operação da Infraestrutura (Demai) e de Planejamento e Projetos (DPP), ambos da Pró-reitoria de Administração (PRA). A intervenção no monumento contou com apoio financeiro da Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (Fundep), e o trabalho no espelho d’água foi patrocinado pela Fundação Christiano Ottoni (FCO).

As obras começaram no início de janeiro, depois de a Diretoria de Patrimônio Cultural (DIPC) da Prefeitura aprovar os projetos e o memorial descritivo com a especificação técnica elaborada pela equipe do DPP/PRA, com detalhes das atividades de intervenção, manutenção, conservação e recuperação. “Trata-se de trabalho multidisciplinar, que envolveu engenheiros, arquitetos e outros especialistas, com o objetivo de devolver restaurados à comunidade da UFMG esses belos patrimônios históricos, em condição similar àquela em que foram construídos”, resume o pró-reitor de Administração, professor Mario Montenegro Campos.

Memória

Erguida em 1970, a escultura foi idealizada pelo então reitor Gérson de Britto Mello Boson, em homenagem a Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. Tombado como parte do acervo de Sylvio de Vasconcellos, professor da Escola de Arquitetura da UFMG, cujo centenário foi comemorado em 2016, o monumento é composto também de plataforma de 25 por 45 metros, recoberta por pedras Itacolomi vermelhas, com acesso por dois lances em degraus pela Avenida Reitor Mendes Pimentel. A conservação seguiu as especificações originais de Sylvio de Vasconcellos, que trabalhou com materiais largamente utilizados por Antônio Francisco Lisboa, que caracterizam a arquitetura tradicional de Minas Gerais.

O memorial descritivo da obra destaca a relevância na especificação da pedra-sabão e de concreto armado, dois elementos construtivos característicos do barroco mineiro e do modernismo e que também “estabelecem uma união entre esses dois grandes mestres mineiros” – o autor e o seu homenageado. O documento relata que, antes do tombamento definitivo da escultura, a recuperação do seu revestimento havia sido objeto de diversos debates na comunidade universitária. Consultado em 1977 sobre a possível mudança na especificação do acabamento, em razão da dificuldade de se encontrar pedras com a mesma coloração, Vasconcellos chegou a sugerir o uso de revestimento em mosaicos vítreos transparentes, sobre base em cobre, e transmitiu a demanda a arquitetos locais, entre os quais, Amilcar de Castro, confiando a eles as possíveis soluções.

“A indicação para a permanência da especificação original do revestimento em pedra-sabão reitera o entendimento da equipe de projetos do DPP/PRA quanto ao respeito absoluto pela matéria e pela intenção original do bem cultural, seja do ponto de vista artístico ou pelo seu viés histórico”, enfatiza o documento elaborado em 2016 pela equipe do DPP. O texto esclarece ainda que, por se tratar de pedra natural, sua aparência estética não é exatamente a mesma da original, o que marca “a época atual de intervenção e sua contemporaneidade, evitando o falso testemunho”.

Arquitetura moderna

Símbolo da arquitetura moderna, o espelho d’água da Reitoria é composto de duas alas, com capacidade total de aproximadamente 1,1 milhão de litros. Seu projeto foi elaborado em 1961, no âmbito do Escritório Técnico da Cidade Universitária, e incorporado ao projeto paisagístico de arborização e ajardinamento do prédio da Reitoria, de autoria do arquiteto Eduardo Mendes Guimarães Júnior, em coautoria com o também arquiteto Ítalo Pezutte. O espelho d’água tem passarela suspensa sobre pilotis, cascatas e muro ornamental em forma de arco.

Diagnóstico elaborado pela equipe técnica do Demai detectou trincas e fissuras nas lajes de piso, paredes e passarela, responsáveis por perda significativa de água. Após a drenagem, os espelhos d’água tiveram suas estruturas recuperadas, as quais receberão novas instalações hidráulicas de recirculação d’água embutidas, sem interferência na geometria original, e impermeabilização, com o objetivo de assegurar a estanqueidade do sistema.


Equipe técnica PRA
Projeto: Manutenção e conservação do monumento em homenagem a Aleijadinho e do espelho d’água – Reitoria
Diretor do DPP: arquiteto Bruno Calazans Starling Freitas
Arquitetura: Alethéa Lessa Moreira
Técnicos: Nísio Júnior e Alan Ferreira
Arquivo técnico: José Domício Sobrinho
Engenheiros do DPP: Wallen Xavier, Fátima Rêlo e Michelle Freitas
Diretor do Demai: engenheiro Felipe Coura
Engenheiros do Demai: Robson Pereira e Artur Risi
Técnico especialista Impermeabilização do Demai: João Dimas

 

*Reportagem originalmente publicada na edição nº 1981 – Ano 43 do Boletim UFMG, em 12/6/2017

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