Em palestra, Heloisa Buarque de Hollanda vai relatar experiência que promove troca de saberes entre universidade e periferia
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heloisabuarquedehollanda.com.br

Ao longo dos últimos dez anos, a Universidade das Quebradas, projeto de extensão vinculado à Faculdade de Letras da UFRJ, promove troca de saberes entre pesquisadores acadêmicos e artistas, ativistas, produtores culturais e arte-educadores da periferia, envolvidos com manifestações diversas, como teatro, dança e literatura. Essa experiência será contada pela professora Heloisa Buarque de Hollanda [foto] em conferência nesta quinta, 29, a partir das 19h, na Faculdade de Educação (FaE).

O evento integra o 11º Seminário Anual do projeto Pensar a Educação Pensar o Brasil 1822-2022, que tem como tema A universidade e a cidade, e também figura na programação das comemorações dos 90 anos da UFMG.

Heloisa Buarque de Holanda explica que a Universidade das Quebradas é dedicada ao esforço de “tradução cultural, de escuta e reconhecimento do outro”. O formato das atividades muda a cada ano: em 2017, o projeto tem como ponto de partida seminários em que os artistas e produtores recebem material teórico e interpretam a sua maneira, alimentando os debates. Os encontros e atividades circulam pelo Rio de Janeiro e região metropolitana, sediados por instituições como o Museu de Arte do Rio (MAR). Nesse caso, segundo Heloisa, “as trocas são baseadas num mergulho nas artes visuais”. Os participantes são escolhidos a cada ano por meio de edital.

Depois de abordar aspectos históricos, filosóficos e institucionais do contato entre universidade e cidade, o ciclo de seminários se aproxima de uma iniciativa que não se pauta por regimes institucionais, como observa o professor Luciano Mendes de Almeida, um dos coordenadores do projeto Pensar a Educação Pensar o Brasil. “A Universidade das Quebradas propõe uma relação da academia com a cidade mais criativa e aberta, com menos amarras. É uma via de mão dupla, que privilegia a dimensão cultural, sem menosprezar a tradição universitária”, ele afirma.

Tecnologias sociais

Mestre e doutora em Literatura Brasileira pela UFRJ, com pós-doutorado em Sociologia da Cultura na Universidade de Columbia, em Nova York, Heloisa dirige o Programa Avançado de Cultura Contemporânea, da UFRJ, onde coordena o Laboratório de Tecnologias Sociais – que abriga o projeto Universidade das Quebradas – e o Laboratório da Palavra, espaço experimental de articulação entre tecnologia e as expressões e práticas da palavra.

Suas pesquisas privilegiam a relação entre cultura e desenvolvimento, com ênfase nas áreas de poesia, relações de gênero e étnicas, culturas marginalizadas e cultura digital. Tem-se dedicado especialmente ao impacto das tecnologias digitais e da internet na produção e no consumo culturais.

Heloisa é autora, entre outros, dos livros Macunaíma, da literatura ao cinema, Cultura e participação nos anos 60 e Pós-modernismo e política. Outro tema que tem mobilizado a pesquisadora é o feminismo. Ela está criando um selo de mulheres na editora Claro Verso e escreve para a Cia. das Letras um livro sobre os novos feminismos, em que aborda ativistas, poetas e novos formatos de arte.

A conferência terá transmissão ao vivo pelo canal do Projeto Pensar a Educação, Pensar o Brasil no YouTube.

Outras informações podem ser encontradas no site do projeto, na página do Facebook e solicitadas pelo e-mail pensar@ufmg.br ou pelos telefones 3409-5355 e 99334-2483.

Encontro de acadêmicos com artistas e ativistas da comunidade da Rocinha, no Rio de Janeiro. Acervo Universidade das Quebradas

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