Um rio de história
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Exposição promove um passeio virtual ao longo do Rio das Velhas. Foto: Ana Naemi/Espaço do Conhecimento UFMG
POR JULIANA FERREIRA*

 

Exposição promove um passeio virtual ao longo do Rio das Velhas

 

Tudo começa a cerca de 100 quilômetros de Belo Horizonte. Em Ouro Preto, centro histórico que já abrigou a capital do estado, nasce o Rio das Velhas. Ao norte da antiga Vila Rica, na Cachoeira das Andorinhas, principia o trajeto desse curso d’água, que passa por 51 municípios e termina sua trilha no Velho Chico, quase 761 quilômetros depois. Eternizado na obra de Guimarães Rosa, o rio margeia florestas e vilarejos, constituindo-se em personagem importante da manutenção do ciclo da vida.

Os visitantes da nova exposição temporária do Espaço do Conhecimento UFMG, À margem: água, cultura e território, podem navegar pela Bacia sem ter que entrar em um barco ou pôr o pé na estrada. Um emaranhado de cordas simula o curso do rio. Sinalizações mostram as cidades por onde ele corre e o que pode ser encontrado por lá, como lobos-guarás, tucanos, gaviões e saguis-da-cara-branca. Nas paredes, fotos e vídeos revelam sua importância para as culturas locais, influenciando a consolidação de costumes, como o Bumba Meu Boi, de Santa Luzia.

À Margem marca as comemorações dos 90 anos da UFMG, dos sete anos do Espaço do Conhecimento e dos 20 anos do Projeto Manuelzão. A diretora científico-cultural do Espaço, Ana Flávia Machado, afirma que a mostra compartilha com a cidade a produção da UFMG. “É um trabalho que evidencia o Espaço do Conhecimento como extensão da universidade”, diz.

Em cartaz até 18 de junho, a exposição foi concebida em parceria com o projeto Manuelzão, criado em 1997, na Faculdade de Medicina da UFMG, com o intuito de atuar pela melhoria das condições ambientais. À época, esse esforço se concentrava na revitalização da Bacia do Rio das Velhas, já que muitas doenças resultavam da falta de cuidado com suas águas. A principal área de atuação foi o investimento na educação ambiental. Hoje, os participantes do projeto trabalham especificamente com escolas, focando nos córregos do Arrudas e do Onça, em BH.

“Os rios estão marginalizados, destituídos de identidade no meio urbano. A exposição conta um pouco da história da Bacia, da história do projeto e revela à sociedade a importância do rio”, afirma o coordenador do Manuelzão, Marcus Vinicius Polignano. Essa marginalização a que se refere o professor está associada ao crescimento das populações ribeirinhas e ao surgimento das grandes cidades, que empurraram o rio para debaixo do concreto. Mesmo sendo responsável por grande parte do abastecimento da Região Metropolitana de BH, o Velhas está sufocado por esgoto, resíduos industriais, agrotóxicos e assoreamento.

Programação

Como seria tomar um banho na antiga cachoeira do Córrego do Acaba Mundo, no Parque Municipal, ou pescar no Ribeirão Arrudas? Na seção Mapa colaborativo, os visitantes descobrem por onde passam os córregos e podem deixar sua marca, indicando onde gostariam de plantar, nadar, fazer um piquenique ou ver animais.

Além da exposição, o Espaço também abriga, até junho, uma programação especial sobre a temática. Na atividade Causos d’água, mediadores recorrem a personagens do folclore brasileiro, como Curupira e Iara, para abordar a importância da preservação. Em Percurso temático: as histórias que correm com a água, o passeio começa pela exposição permanente Demasiado Humano, até chegar À Margem. Durante o percurso, a importância dos rios na trajetória humana é evidenciada.

O evento À Margem: o rio e a cidade, organizado pelo Projeto Manuelzão, completa a programação com debates sobre formas de reaproximar a população da natureza no ambiente urbano. Estão previstas mesas-redondas e aulões públicos. Todas as atividades são gratuitas e podem ser consultadas no site do Espaço: espacodoconhecimento.org.br.

*Jornalista do Espaço do Conhecimento UFMG. Reportagem originalmente publicada em 17 de abril de 2017 na edição nº 1973 – ano 43 do Boletim UFMG.

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