Museus e Experiências – Espaço do Conhecimento UFMG
 
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Museus e Experiências

“A experiência é o que nos passa, o que nos acontece, o que nos toca.”

Larrosa Bondía 

 

É comum que a experiência de visita a um museu deixe diversas lembranças. Você se lembra de alguma visita que fez a algum museu?  Do nome da pessoa que conversou com você na visita? De algo especial que viu na exposição? E da arquitetura do prédio? Ficou com alguma pergunta na cabeça depois que foi embora? 

 

Em um museu, objetos e informações estão organizados na forma de exposição. Essa organização guarda características que são próprias do espaço museal. No Espaço do Conhecimento UFMG, os curadores pensam em uma linha narrativa, a equipe de expografia faz a organização espacial desse conceito e os mediadores estabelecem diálogos com o público, para ampliar e potencializar a interação com os conteúdos expostos (para saber mais sobre mediação, clique aqui).  

 

Mesmo assim, o contato com uma exposição nunca é igual para todo mundo. As pessoas podem possuir visões diferentes sobre o que está exposto, conhecer fatos para além do que está representado, ou desconhecer completamente o tema. Cada um constrói uma relação individual com o que foi visto e apreende coisas de acordo com as vivências anteriores à visita. Esse entendimento nos faz perceber um papel ativo do público na sua relação com o museu. Não se trata apenas de absorver as informações expostas. O público questiona, reelabora os conteúdos e cria conexões com a exposição. 

 

Em outros termos, o museu e as suas exposições envolvem interações afetivas, sensoriais e cognitivas. Por isso, o museu deve ser um ambiente de risadas, indagações, descobertas, entusiasmo, silêncios, surpresas, encanto e desencanto. Por exemplo, no Espaço, ao se deparar com a réplica do fóssil do Rincossauro, as crianças podem deixar escapar diferentes expressões: Uau! Que legal! O que é aquilo? É de verdade? Pode tocar? Estou com medo! Parece um lagarto! Ele tem bico de papagaio! 

 

Réplica de fóssil do Rincossauro, no Espaço do Conhecimento UFMG

 

Essas falas, indagações e sentimentos só são possíveis pela dimensão da experiência que perpassa as visitas, tal como coloca Jorge Larrosa Bondía: experiência é aquilo que nos acontece, nos toca, que nos acontece e permanece. Quando a visita ao Espaço é significativa, mesmo depois de anos, o visitante pode se lembrar de como o Cruzeiro do Sul pode ajudar na localização das pessoas, por ter visto essa informação em uma sessão no Planetário. Ele também pode se lembrar dos modos de contar histórias que conheceu na parte da exposição sobre Minas Gerais, ao ver o fuxico na colcha da casa da avó. Cada visitante vai ter uma lembrança e um saber construído durante a visita, porque a dimensão da experiência é individual, embora compartilhada. É um desafio constante para os museus potencializar esses espaços e momentos de compartilhamento de experiências, questionamentos e lembranças.

 

Sessão no Planetário do Espaço do Conhecimento UFMG

 

Se, neste momento de pandemia, nossas exposições estão vazias e o silêncio prevalece, esperamos que, em breve, possamos nos encontrar presencialmente para criar novas memórias e saberes. Enquanto isso não acontece, podemos trocar experiências de forma virtual. Você já esteve no Espaço do Conhecimento UFMG? Tem algo da visita que te marcou? Já levou seu grupo de alunos até o museu? Lembra de algo que os estudantes disseram que chamou a sua atenção? Conta pra gente pelo e-mail espacoabertoaeducadores@gmail.com.

 

Para ampliar: 

 

BONDÍA, Jorge Larrosa. Notas sobre a experiência e o saber de experiência. Rev. Bras. Educ. [online], n.19, p. 20-28, 2002. Disponível em: <https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-24782002000100003&lng=pt&tlng=pt>.

MARTINS, L. C.; NAVAS, A. M.; CONTIER, D.; SOUZA, M. P. C. Que público é esse? Formação de públicos de museus e centros culturais. 1. ed., São Paulo, SP: Percebe, 2013. Disponível em: <https://www.percebeeduca.com.br/conteudos/visualizar/Que-publico-e-esse-Formacao-de-publico-de-museus-e-centros-culturais>