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Celebração da cultura afro-brasileira marca terceiro dia de programação

domingo, 20 de julho de 2014, às 16h48

O campus Pampulha foi tomado, neste domingo, 20, por manifestações culturais da religiosidade afro-brasileira, durante o terceiro dia do 46º Festival de Inverno da UFMG. A programação começou com cortejo formado por integrantes de irmandades de congado de Contagem, Juatuba e Oliveira. Eles seguiram, entoando cânticos, da Praça de Serviços até a Estação Ecológica, onde foi realizada uma missa conga.

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Congadeiros saem em cortejo da Praça de Serviços

Uma das irmandades participantes vem da Comunidade Negra dos Arturos, de Contagem, que, pelo segundo ano consecutivo, esteve presente no Festival de Inverno. “Hoje é um dia especial para nós. Estivemos no ano passado em Diamantina e hoje voltamos para compartilhar um pouco mais da nossa cultura e dos nossos costumes”, disse João Batista da Luz, Capitão de Moçambique dos Arturos.

Para a diretora de Ação Cultural da UFMG, Leda Maria Martins, o cortejo é uma das mais importantes tradições dos reinos do congado. “Durante o cortejo, percorremos os caminhos trilhados pelos nossos antepassados. Aonde chegamos, fazemos o cortejo para abrir os caminhos”, explica a diretora, que também é rainha de Nossa Senhora das Mercês da Irmandade Nossa Senhora do Jatobá.

Celebração religiosa
Pouco antes do meio-dia, teve início, na Estação Ecológica, a missa conga, cujo diferencial em relação ao ritual convencional é a presença dos congadeiros, que não apenas assistem à celebração, mas também participam dela por meio de cânticos e do rufar dos tambores.
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Frei Chico e congadeiros chegam à Estação Ecológica

Na abertura da missa, Leda Martins lembrou que a UFMG, como universidade pública, está de portas abertas para receber as manifestações culturais não hegemônicas. “Queremos vocês conosco não apenas nesses dias de festejo, mas também no dia a dia da Universidade”, disse.

A celebração foi conduzida pelo franciscano frei Chico, holandês radicado no Brasil, que se dedica ao estudo da cultura e da religiosidade afro-brasileiras. Durante a celebração, ele traçou um paralelo entre a escravidão dos negros no Brasil e a dominação à qual foram submetidos os judeus no Egito.

Frei Chico lembrou a importância de celebrar a libertação, como fazem os judeus na Páscoa e os congadeiros na Festa de Nossa Senhora do Rosário. “O congado faz parte da identidade brasileira”, frisou.

Leda Martins conta que a missa conga foi criada na tentativa de conciliar os rituais da Igreja Católica com os reinados do congado, já que a instituição não permitia que os congadeiros entrassem paramentados e tocassem tambores nas igrejas.

“Uma das partes mais bonitas da celebração é o lamento do negro, antes de as portas da igreja serem abertas. Esse momento revive a relação do negro com a Igreja Católica durante a escravidão: os escravos levavam os brancos até a porta da igreja, mas não podiam entrar. Ao final do lamento, pede-se ao padre que abra as portas para que o negro possa celebrar”, explicou a diretora.

Após a celebração, os integrantes das irmandades seguiram para o Restaurante Setorial II, onde foi servido almoço com pratos típicos da culinária afro-brasileira.

Resistência cultural
Até às 22h deste domingo, o bosque da Escola de Música abriga o evento Resistência Cultural. A programação é composta por batalha de MCs, oficina de graffiti, bloco de carnaval, passeio de bicicleta, piquenique, além de diversas atrações musicais. A lista completa pode ser consultada na programação do Festival.

Recepção de lideranças indígenas
Nesta segunda-feira, as atividades serão abertas às 9h, com um café da manhã. Em seguida, às 10h, Yabuti Metuktire Puiu, líder indígena de resistência contra a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, participa da Assembleia dos Povos Indígenas, no auditório da Reitoria. Na ocasião, também será feita a abertura da exposição Lutas indígenas. Acesse a programação do Festival neste link.

Fonte: Agência de Notícias UFMG