Em palestra, Heloisa Buarque de Hollanda vai relatar experiência que promove troca de saberes entre universidade e periferia
  • 27
  • 06
heloisabuarquedehollanda.com.br

Ao longo dos últimos dez anos, a Universidade das Quebradas, projeto de extensão vinculado à Faculdade de Letras da UFRJ, promove troca de saberes entre pesquisadores acadêmicos e artistas, ativistas, produtores culturais e arte-educadores da periferia, envolvidos com manifestações diversas, como teatro, dança e literatura. Essa experiência será contada pela professora Heloisa Buarque de Hollanda [foto] em conferência nesta quinta, 29, a partir das 19h, na Faculdade de Educação (FaE).

O evento integra o 11º Seminário Anual do projeto Pensar a Educação Pensar o Brasil 1822-2022, que tem como tema A universidade e a cidade, e também figura na programação das comemorações dos 90 anos da UFMG.

Heloisa Buarque de Holanda explica que a Universidade das Quebradas é dedicada ao esforço de “tradução cultural, de escuta e reconhecimento do outro”. O formato das atividades muda a cada ano: em 2017, o projeto tem como ponto de partida seminários em que os artistas e produtores recebem material teórico e interpretam a sua maneira, alimentando os debates. Os encontros e atividades circulam pelo Rio de Janeiro e região metropolitana, sediados por instituições como o Museu de Arte do Rio (MAR). Nesse caso, segundo Heloisa, “as trocas são baseadas num mergulho nas artes visuais”. Os participantes são escolhidos a cada ano por meio de edital.

Depois de abordar aspectos históricos, filosóficos e institucionais do contato entre universidade e cidade, o ciclo de seminários se aproxima de uma iniciativa que não se pauta por regimes institucionais, como observa o professor Luciano Mendes de Almeida, um dos coordenadores do projeto Pensar a Educação Pensar o Brasil. “A Universidade das Quebradas propõe uma relação da academia com a cidade mais criativa e aberta, com menos amarras. É uma via de mão dupla, que privilegia a dimensão cultural, sem menosprezar a tradição universitária”, ele afirma.

Tecnologias sociais

Mestre e doutora em Literatura Brasileira pela UFRJ, com pós-doutorado em Sociologia da Cultura na Universidade de Columbia, em Nova York, Heloisa dirige o Programa Avançado de Cultura Contemporânea, da UFRJ, onde coordena o Laboratório de Tecnologias Sociais – que abriga o projeto Universidade das Quebradas – e o Laboratório da Palavra, espaço experimental de articulação entre tecnologia e as expressões e práticas da palavra.

Suas pesquisas privilegiam a relação entre cultura e desenvolvimento, com ênfase nas áreas de poesia, relações de gênero e étnicas, culturas marginalizadas e cultura digital. Tem-se dedicado especialmente ao impacto das tecnologias digitais e da internet na produção e no consumo culturais.

Heloisa é autora, entre outros, dos livros Macunaíma, da literatura ao cinema, Cultura e participação nos anos 60 e Pós-modernismo e política. Outro tema que tem mobilizado a pesquisadora é o feminismo. Ela está criando um selo de mulheres na editora Claro Verso e escreve para a Cia. das Letras um livro sobre os novos feminismos, em que aborda ativistas, poetas e novos formatos de arte.

A conferência terá transmissão ao vivo pelo canal do Projeto Pensar a Educação, Pensar o Brasil no YouTube.

Outras informações podem ser encontradas no site do projeto, na página do Facebook e solicitadas pelo e-mail pensar@ufmg.br ou pelos telefones 3409-5355 e 99334-2483.

Encontro de acadêmicos com artistas e ativistas da comunidade da Rocinha, no Rio de Janeiro. Acervo Universidade das Quebradas

Encontro de acadêmicos com artistas e ativistas da comunidade da Rocinha, no Rio de Janeiro. Acervo Universidade das Quebradas

Mais Notícias
Foto em destaque: Foca Lisboa/ UFMG
  • 21 jul 2017
  • 0
Reitores de diversas gestões da UFMG participaram, no início da tarde de hoje, 17, da Sessão Especial 90 anos da UFMG, evento que integra a...
Grupo homenageado por suas contribuições ao crescimento da extensão na UFMG. Foto: Foca Lisboa / UFMG
  • 4 set 2017
  • 0
Grupo homenageado por suas contribuições ao crescimento da extensão na UFMG. Foto: Foca Lisboa / UFMG   O Centro Virtual de Memória da Extensão (Cevex),...
O intelectual português foi homenageado em ritual protagonizado por estudantes da formação intercultural de educadores indígenas. Foto: Foca Lisboa/ UFMG
  • 26 abr 2017
  • 0
As formações transversais, o programa intercultural de educadores indígenas, a licenciatura no campo, a criação de vagas suplementares para representantes de povos indígenas e a...