Lugar da inovação
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Laser sintonizável usado para experiência de espectroscopia em laboratório vinculado ao INCT de Nanomateriais de Carbono, no Icex

Laser sintonizável usado para experiência de espectroscopia em laboratório vinculado ao INCT de Nanomateriais de Carbono, no Icex

 

INCTs sediados na UFMG concentram excelência em áreas como nanotecnologia, vacinas, estudos da democracia e tecnologias ambientais

 

A UFMG sedia 16 dos 252 Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs) que tiveram sua renovação ou implantação recomendada na última chamada de iniciativa do governo federal e das fundações de apoio à pesquisa dos estados. Desses 16 institutos, seis foram classificados entre os 101 que já começaram a receber recursos.

Essas redes de pesquisa envolvem desenvolvimento de vacinas, abordagens sobre a dengue, nanomateriais de carbono, tratamento sustentável de esgoto, tecnologias de aproveitamento de resíduos e democracia e democratização das comunicações.

O pró-reitor de Pesquisa, professor Ado Jorio de Vasconcelos, destaca que ter na UFMG os nós centrais de redes de pesquisa tão importantes tem efeito poderoso. “Essa condição possibilita abordar os temas de forma multidisciplinar, contando com tecnologias diversas. O conhecimento gerado é mais robusto, e a Instituição passa a transpirar ciência e tecnologia”, comenta o pró-reitor.

Estes são os INCTs que contam com recursos numa primeira etapa:

Nanocarbono

Produção de nanomateriais de carbono (grafeno e nanotubos), desenvolvimento de aplicações nas áreas de novos materiais, dispositivos fotônicos e eletrônicos e biomedicina, estudo de propriedades físicas e químicas fundamentais (e simulações), assim como difusão desse conhecimento, são as áreas de concentração do INCT de Nanomateriais de Carbono. Criado em 2009, ele congrega 18 instituições de pesquisa, duas empresas e 72 pesquisadores.

O professor Marcos Pimenta, do Departamento de Física e coordenador do Instituto, enumera, entre as conquistas do grupo, desenvolvimento de aplicações tecnológicas, formação de recursos humanos, publicação de artigos e a criação do CT-Nanotubos (Centro de Tecnologia em Nanotubos). O pedido de renovação no CNPq e na Fapemig inclui outros tipos de materiais bidimensionais.

Dengue

O INCT em Dengue aplica diferentes abordagens no combate a uma das doenças que mais atingem os brasileiros e cujo vírus está presente em mais de 100 países. Os pesquisadores trabalham sobre mecanismos de infecção, compreensão do vírus e de sua circulação e controle do vetor, por meio de armadilhas e de monitoramento. “Além disso, temos desenvolvido formas de identificar indivíduos que correm mais risco e de chegar a diagnósticos mais rápidos”, revela o coordenador, professor Mauro Teixeira.

Ainda segundo ele, publicações geradas por estudos do INCT demonstram como melhorar prognósticos – reduzindo riscos de desenvolvimento de doença grave –, revelam melhor entendimento da relação parasita-hospedeiro e vinculam a flora intestinal à capacidade de resposta ao tratamento. O trabalho do Instituto envolve ainda ações educativas e de comunicação, relacionadas, sobretudo, ao direito à saúde.

Vacinas

Vacina contra a leishmaniose visceral canina já chegou ao mercado. Foto: Rafael Mota/ UFMG

Criado com a finalidade de apoiar o desenvolvimento de vacinas contra doenças negligenciadas pela indústria farmacêutica, o INCT Vacinas concentra suas pesquisas em três frentes: compreensão dos mecanismos básicos de resposta imunológica envolvidos em infecções por diferentes patógenos, aquisição de tecnologias mais modernas para a formulação de vacinas, em sua maioria, recombinantes, e o desenvolvimento de vacinas propriamente dito.

De acordo com o coordenador do Instituto, professor Ricardo Gazzinelli, algumas das conquistas foram a criação de vacinas contra a dengue – transferida para Biomanguinhos, unidade da Fiocruz – e contra a leishmaniose visceral canina, que já chegou ao mercado, e um modelo experimental para Doença de Chagas. No caso deste último, o Instituto está à procura de parceiros para teste em humanos. Além da UFMG, o INCT Vacinas reúne pesquisadores da Fiocruz, Unifesp, USP, UFRJ e UFSC.

Etes Sustentáveis

O INCT Estações de Tratamento de Esgoto Sustentáveis nasce com a pretensão de se tornar um centro de referência internacional para questões relacionadas ao tratamento de esgoto doméstico, sobretudo em países em desenvolvimento. Uma das premissas centrais é de que os subprodutos do tratamento têm potencial elevado de aproveitamento, e os esforços nesse sentido são ainda incipientes e pouco articulados.

A atuação do INCT visa à criação de um centro de excelência, à formação de recursos humanos de alto nível, à realização de pesquisas direcionadas ao desenvolvimento de sistemas integrados e sustentáveis, à transferência de conhecimento para a sociedade, o governo e o setor empresarial. Investigações que estão na fronteira do conhecimento também servirão à abordagem de temas que são de importância estratégica para o país.

Coordenado pelo professor Carlos Chernicharo, da Escola de Engenharia, o Instituto conta com a participação das universidades federais do Rio de Janeiro, Pernambuco, Ceará, Mato Grosso do Sul, da USP e da Fundação Getulio Vargas, além de parcerias com instituições dos cinco continentes.

Democracia

O INCT da Democracia e da Democratização da Comunicação, coordenado pelo professor Leonardo Avritzer, do Departamento de Ciência Política (DCP), reúne cerca de 40 pesquisadores, entre brasileiros e estrangeiros, de instituições como o Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra (Portugal), o Centro de Estudos de Opinião Pública (Cesop), o Instituto de Estudos Sociais e Políticos (Iesp) – sucessor do antigo Iuperj, vinculado à Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) – e a Universidade de Brasília (UnB).

Segundo Leonardo Avritzer, o INCT trabalha com dois objetivos centrais. O primeiro é desenvolver um levantamento sobre os hábitos democráticos. “Queremos saber como o brasileiro vê o governo e as instituições democráticas e se posiciona sobre temas como tolerância. Notamos que há uma mudança de percepção do brasileiro em relação a esses temas, e é importante identificá-la”, analisa o cientista político. O outro objetivo, segundo ele, é “estudar em profundidade” o funcionamento de quatro bases de sustentação do estado democrático: representação, participação, mídia e judiciário.

Tecnologias Ambientais

O objetivo do INCT Midas – Tecnologias Ambientais é intensificar pesquisas sobre transformação de resíduos em produtos de valor agregado. O Instituto reúne 30 grupos de todo o país. Os processos desenvolvidos transformam, por exemplo, óleo de fritura em biodiesel, rejeitos da indústria de couro em fertilizantes e glicerina de biodiesel em lubrificante para corte de metal e supressor de poeira para transporte de minérios.

De acordo com o coordenador do INCT, professor Rochel Lago, do Departamento de Química, a nova rede nasce marcada pela interface com a indústria, característica da maioria dos grupos, e já estabeleceu parceria com o Senai Inovação e fundos de investimentos. O objetivo é que a atuação do INCT contribua diretamente para a criação de base tecnológica.

 

Outros institutos sediados na UFMG*

INCT Acqua – Recursos Minerais e Biodiversidade. Coordenado por Virginia Ciminelli (Escola de Engenharia)

INCT Nanobiofarmacêutica. Coordenado por Robson Santos (Instituto de Ciências Biológicas, ICB)

INCT Web. Coordenado por Virgílio Almeida (Departamento de Ciência da Computação do ICEx)

INCT Segurança Pública. Coordenado por Claudio Beato (Departamento de Sociologia da Fafich)

INCT Tecnologias de Análise Demográfica e Socioeconômica. Coordenado por Eduardo Rios-Neto (Faculdade de Ciências Econômicas, Face)

INCT Saúde Animal e Zoonoses. Coordenado por Renato Lima Santos (Escola de Veterinária)

INCT Biotecnologia e Uso Sustentável da Biodiversidade de Leveduras. Coordenado por Carlos Augusto Rosa (ICB)

INCT Indústria Inteligente. Coordenado por Antonio Pádua Braga (Engenharia)

INCT Doenças virais emergentes e reemergentes. Coordenado por Erna Kroon (ICB)

INCT Tecnopolíticas. Coordenado por Natacha Rena (Escola de Arquitetura)

*Os três primeiros têm suas pesquisas em andamento

 

*Reportagem originalmente publicada na edição “Especial SBPC (3ª edição) – Ano 43 – março de 2017” do Boletim UFMG

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