Tempo de mudanças desafia engenharia a ser mais colaborativa, afirma Humberto Pereira, da Embraer
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O vice-presidente da Embraer falou para uma plateia formada majoritariamente por estudantes de engenharia. Foto: Foca Lisboa/ UFMG

O vice-presidente da Embraer falou para uma plateia formada majoritariamente por estudantes de engenharia. Foto: Foca Lisboa/ UFMG

 

“Se a gente não transformar o nosso meio em ambiente de confiança como base das relações, não há caminho para a prosperidade”, aconselhou o engenheiro e vice-presidente da Embraer, Humberto Pereira, a uma audiência que lotou o auditório do CAD 1 durante a conferência O futuro da engenharia, realizada na noite de ontem, 9 de agosto. A atividade integrou o ciclo de conferências UFMG, 90: desafios contemporâneos, parte das comemorações dos 90 anos da Universidade.

Afinal, a maioria das pessoas pode ser confiável? Segundo dados da pesquisa Our World in Data, publicada em 2014 pela Universidade de Oxford, apenas 6,53% dos brasileiros acham que sim. E há, segundo Humberto Pereira, uma correlação muito forte entre o nível de confiança de um país e a sua prosperidade.

“Uma em cada quinze pessoas respondeu que confia nas outras”, explicou Humberto. Em outros países, esse número costuma atingir uma em cada duas pessoas, ou duas em cada três. “Nós não podemos nos iludir”, afirmou, categórico. “Estamos pagando por isso em cada transação que a gente faz”, argumentou.

“Não posso conhecer todos pessoalmente, mas posso ao menos fazer uma estatística”, propôs Humberto logo no início da conferência. “Tem aluno de graduação aqui?” Praticamente todas as mãos se levantaram. Depois, perguntou quais deles eram alunos de Engenharia. A maioria das mãos continuaram erguidas. Satisfeito, fez a terceira pergunta: quem quer ter, após formado, sua própria empresa? Mesmo com uma redução considerável, o número de alunos com pretensões empreendedoras no público era alta. “Vamos ver essa estatística após a conversa”, brincou.

Instigante, a conferência do executivo da Embraer versou sobre as mudanças que o mundo enfrenta na atualidade e quais as adaptações a engenharia precisa fazer para enfrentá-las.

Além da necessidade de mais confiança e de cooperação no trabalho, o futuro engenheiro não pode deixar que a tolerância, característica atribuída ao brasileiro, se transforme em inércia, defendeu Pereira: “Estamos próximos de uma inflexão semelhante a que tivemos na virada do século 19 para o 20. Logo, o profissional precisa se adaptar a essa acelerada transformação.

Sinais das mudanças

Após discorrer brevemente sobre a história da Embraer e os desafios que a própria empresa enfrentou na sua trajetória, Humberto indicou tendências que possibilitam fazer algumas projeções. “O mundo passa por transformações muito ágeis, e é muito importante refletir sobre o papel do engenheiro na construção do futuro”.

Para exemplificar, o vice-presidente da Embraer mostrou duas fotos da Quinta Avenida, em Nova York, uma em 1900 e outra em 1913. Na primeira, via-se apenas um carro entre inúmeras charretes; 13 anos depois, uma única charrete disputava espaço com dezenas de automóveis.

Em outro exemplo, ele destacou o desenvolvimento da aeronáutica nacional. Na conferência, o engenheiro apontou a diferença entre o Bandeirante, o avião que alçou voo em 22 de outubro de 1968 e mostrou que o sonho de uma empresa de aeronáutica brasileira era possível, e a potência do Legacy 500, o último avião certificado pela Embraer. “Sofri muito para liberar o primeiro voo desse avião”, ele lembrou, “porque não tem nada físico entre o piloto e a superfície de comando exceto bits, bytes e computadores”. Os dois aviões estão separados por uma diferença de 49 anos de idade – semelhante à que distancia no tempo o próprio Bandeirante do pioneiro 14-bis de Santos Dumont.

Com 30 anos de vida profissional, Humberto Pereira é nome de referência na área de Engenharia e Tecnologia para o Desenvolvimento de Novos Produtos e Processos. Formado em Engenharia Mecânica pela própria UFMG, o engenheiro também preside a Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (Anpei).

Humberto Pereira: graduação é sacramento. Foto: Foca Lisboa/ UFMG

Humberto Pereira: graduação é sacramento. Foto: Foca Lisboa/ UFMG

Sobrenome UFMG

“É uma alegria sem igual voltar aqui”, revelou Humberto, que se espantou com as mudanças no campus Pampulha e revelou ter tido dificuldades para encontrar o próprio Instituto de Ciências Exatas (ICEx), onde estudava. “A graduação é um sobrenome, quase que um sacramento, e eu trago com muito orgulho o sobrenome UFMG na minha vida”.

Para Humberto Pereira, a universidade tem grande contribuição a dar na reflexão sobre os desafios do século 21. “Acredito que as universidades têm cada vez mais de propiciar esse ambiente em que as pessoas consigam enxergar as transformações do mundo como empreendedoras e não como elementos passivos da sociedade”.

“Receber um ex-aluno e um profissional dos mais qualificados, que hoje está na vice-presidência de uma das maiores empresas do país, é uma grande satisfação”, afirmou o reitor Jaime Ramírez em sua saudação a Humberto Pereira. “Creio que os alunos que puderam comparecer tiveram uma grande oportunidade de ter um pouco de perspectiva, por meio de uma pessoa com a experiência dele, do que o futuro nos reserva como surpresa de mudanças”, avaliou.

O engenheiro Humberto Pereira também falou à TV UFMG sobre o papel do engenheiro no século 21. Assista ao vídeo:

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