Dia Internacional dos Povos Indígenas  – Espaço do Conhecimento UFMG
 
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Dia Internacional dos Povos Indígenas 

09 de agosto de 2022

 

Antes que os homens aqui pisassem

Nas ricas e férteis terraes brazilis

Que eram povoadas e amadas por milhões de índios

Reais donos felizes

Da terra do pau-brasil

Pois todo dia, toda hora, era dia de índio

Pois todo dia, toda hora, era dia de índio

 

Mas agora eles só têm um dia

O dia dezenove de abril

Mas agora eles só têm um dia

O dia dezenove de abril

 

Se em 1982, ano em que Jorge Ben compôs Todo dia era dia de índio, os povos originários no Brasil tinham apenas um dia de relevância reflexiva nos calendários oficiais, em 1994 eles passaram a ter dois. 

 

A ONU e as lutas indígenas 

 

Na metade dos anos 90, a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) proclamou, por meio da Resolução 49/214, o dia 9 de agosto como o Dia Internacional dos Povos Indígenas do Mundo. A efeméride foi criada com o objetivo de chamar a atenção para a questão indígena em todo o planeta, alertando para a necessidade da garantia de condições dignas de existência e do reconhecimento da importância dessas populações tidas como vulneráveis. 

 

Com intuito similar, a ONU também aprovou alguns anos mais tarde, em 2007, a Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas. O documento buscava estabelecer direitos universais a essas populações, como o direito à vida, à liberdade e à segurança, além de assegurar a legitimidade das lutas desses povos diante de instituições internacionais. 

 

Ao contrário do que muitos pensam, 19 de abril e 9 de agosto não são datas comemorativas para populações indígenas. Pelo menos não no Brasil. Por aqui, não se tratam de dias de festa, mas de datas para relembrar a luta por direitos básicos e pelo reconhecimento das vivências plurais de povos que há mais de 500 anos têm sua existência ameaçada.

 

Em 2022, o avanço do agronegócio, do desmatamento e da mineração em regiões demarcadas ameaçam a sobrevivência de diversos povos que, não só neste 9 de agosto, mas durante todo o ano, precisam ter seus direitos relembrados e, sobretudo, garantidos. 

 

A garantia pelo Estado dos seus direitos básicos, a liberdade de exercer suas tradições, o fim de violências físicas e simbólicas, o respeito às suas crenças e costumes e o reconhecimento da diversidade existente entre os povos originários são algumas das reivindicações constantes nas suas lutas, demonstrando que há mais a ser conquistado do que para comemorar.

 

Pluralidade em Mundos Indígenas

 

Ilustrações dos povos Xakriabá, Ye’kwana e Maxakali

(Exposição Mundos Indígenas – Espaço do Conhecimento UFMG)

 

Como lembrança da diversidade existente entre os povos indígenas no Brasil, que na canção de Jorge Ben são chamados de “o índio”, como se formassem todos uma unidade singular e homogênea, apagando suas vivências, costumes e crenças plurais, o Espaço do Conhecimento UFMG convida todos e todas a conhecerem a exposição Mundos Indígenas

 

Concebida com curadoria de Davi Kopenawa, Joseca Yanomami, Júlio David Magalhães, Viviane Cajusuanaima Rocha, Vicente Xakriabá, Edvaldo Xakriabá, Célia Xakriabá, Isael Maxakali, Sueli Maxakali, Kanatyo Pataxoop e Liça Pataxoop, a exposição, inaugurada em 2019, permite uma visita a modos de vida de cinco diferentes povos que ocupam o território brasileiro: os Maxakali, os Pataxoop, os Xakriabá, os Yanomami e os Ye’kwana.

 

Proporcionar reflexões para além de uma data única é essencial, e  por isso, o museu promove durante todo o oitavo mês do ano uma extensa programação formativa no projeto Agosto Indígena. O evento, organizado pela primeira vez em 2022, por ocasião do Dia Internacional dos Povos Indígenas, propõe imersões em conceitos distintos a partir da exposição Mundos Indígenas em visitas mediadas, além de oficinas, rodas de conversa e sessões de planetário.

 

Vale lembrar que, embora a exposição abarque cinco povos diferentes, no Brasil existem outros 300 que não estão contemplados, com seus modos de vida e saberes próprios. Essas centenas indicam que ainda há muito o que desconhecemos sobre os povos originários. E a luta constante daqueles que conhecemos aponta para um longo caminho ainda a ser percorrido para a garantia dos direitos descritos na Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas, relembrada em 9 de agosto pela ONU.

 

[Texto de autoria de Helena Azoubel , estudante de jornalismo e estagiária do Núcleo de Comunicação e Design]

 

Para saber mais! 

 

PROGRAMAÇÃO DE ATIVIDADES DO AGOSTO INDÍGENA 2022

DECLARAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS SOBRE OS DIREITOS DOS POVOS INDÍGENAS