A Jornada de Extensão da UFMG teve um formato diferenciado em 2026. O evento foi realizado de segunda a quarta-feira, 27 a 29 de abril, com o tema Universidade e territórios: extensão como prática transformadora com comunidades atingidas pelo rompimento de barragens de mineração.
Na segunda (27), a programação começou com a visita a Mariana, no distrito de Bento Rodrigues, vilarejo devastado pelo rompimento da barragem de Fundão, da mineradora Samarco, em novembro de 2015.
Já na terça (28), os participantes do evento visitaram Brumadinho, onde foi erguido o memorial em homenagem às vítimas do rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, da Vale, ocorrido em janeiro de 2019.
Visita a Mariana

Apresentação do programa Escola do Rio Doce no Instituto de Ciências Sociais Aplicadas (Icsa) da Ufop | Foto: Danilo Collado Proex/UFMG
A equipe da UFMG conversou em Mariana com pessoas atingidas e diretores de escola e conheceu o programa Escola do Rio Doce, desenvolvido pela UFMG e a Ufop – a iniciativa oferece cursos de formação continuada a educadores de escolas dos territórios atingidos. A programação em Mariana incluiu visita ao novo Bento Rodrigues, que foi construído pela Vale após a destruição do antigo distrito.
Visita a Brumadinho

Kenya Paiva contou a história de criação do Memorial Brumadinho, fruto da mobilização dos familiares | Foto: Eduardo Maia/Proex UFMG
No dia seguinte, os participantes da Jornada de Extensão foram ao Memorial Brumadinho. O espaço foi criado como símbolo de luta e justiça pelas pessoas que morreram por conta do rompimento da barragem. O memorial nasceu da mobilização das famílias para salvaguardar os fragmentos corporais e a memória das 272 vítimas.
Um dos principais momentos da visita foi a conversa com a diretora da Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem Mina Córrego do Feijão (Avabrum), Kenya Paiva Silva Lamounier. Ela perdeu na tragédia seu marido Adriano Aguiar Lamounier.
Não repetição
Kenya, que foi uma das fundadoras do memorial, aproveitou a presença expressiva de visitantes para destacar o papel da educação na formação de profissionais conscientes, como forma de evitar que tragédias semelhantes às de Mariana e Brumadinho voltem a acontecer.
“O memorial conta a história de um crime. Este espaço precisa estar em sintonia com a sociedade, principalmente com as instituições de ensino. É muito importante que estudantes e profissionais, seja qual for a especialidade, conheçam o que aconteceu. O desastre em Brumadinho ocorreu porque pessoas não deram importância à verdade, à ética e à vida. Precisamos de sujeitos comprometidos com esses valores para construir um futuro diferente em nosso país”, afirmou.
Mostra de Produtos
A 25ª Jornada de Extensão se encerrou na quarta-feira (29), com a Mostra de Produtos, que teve lugar na Praça de Serviços do Campus Pampulha. O público pôde conhecer mais de 80 produtos desenvolvidos pelas atividades de extensão da UFMG, como livros, cartilhas, jogos e tecnologias sociais. Confira lista dos produtos.

Equipe da Escola de Engenharia apresentou materiais sobre coletas seletivas com participação de catadores | Foto: Luiza Mendes/Proex UFMG
Em 2026, a Jornada de Extensão foi promovida pela Pró-reitoria de Extensão (Proex) da UFMG, em parceria com o programa Polos de Cidadania, da Faculdade de Direito da UFMG, o programa Escola do Rio Doce, da Faculdade de Educação (FaE) da UFMG, a Avabrum e a Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop).
Outras informações estão disponíveis no site do evento.