De casa (Digital) nova
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O novo Portal UFMG é resultado de um sistema próprio de gerenciamento de conteúdo, alimentado por sistemas menores. Foto: Lucas Braga/ UFMG

UFMG lança novo portal em meio às comemorações de seus 90 anos. Foto: Lucas Braga/ UFMG

 

POR ANA RITA ARAÚJO*

 

A UFMG lançou, no dia 6 de setembro, a primeira versão do seu novo portal na internet. Outras funcionalidades estarão disponíveis aos usuários em etapas próximas. Mas já nessa versão é possível vislumbrar a facilidade de acesso do usuário ao volume e à complexidade de informações geradas nos diversos ambientes e setores que compõem a Universidade. Para o reitor Jaime Ramírez, o novo portal favorece o acesso a informações sobre a UFMG e amplia a sua visibilidade. “Há muito tempo, os portões físicos deixaram de ser a principal via de acesso às instituições. Acredito que o novo portal aumenta a transparência sobre o que somos, sobre nossa produção, sobre nossas oportunidades. É, sim, uma forma importante de prestar contas e apresentar a UFMG”, destaca Ramírez.

Devido às características e à complexidade da Instituição, os criadores do Portal UFMG optaram por construir um sistema próprio de gerenciamento de conteúdo, alimentado por sistemas menores, alguns dos quais também desenvolvidos pela mesma equipe, do Centro de Comunicação (Cedecom). Assegurar que as informações estejam ao alcance do usuário, em uma interface amigável, foi o objetivo que norteou o trabalho de elaboração do portal. “A empreitada não foi fácil porque somos uma instituição complexa, multifacetada. Ao mesmo tempo, era preciso encontrar soluções para facilitar o acesso do usuário, buscando criar condições para tornar mais transparentes as informações sobre a Universidade”, afirma o diretor do Cedecom, Marcílio Lana.

O jornalista também destaca a participação de inúmeros setores da Universidade, em especial da Diretoria de Tecnologia da Informação (DTI) e da equipe de TI da Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (Fundep), que colaboraram para aprimorar o conteúdo, a forma e as funcionalidades e sistemas do novo portal. “No primeiro semestre deste ano, fizemos, por recomendação do reitor, uma apresentação para o Conselho de Diretores e para os integrantes da equipe da Administração Central. Mais que dar conhecimento, o objetivo foi o de reunir impressões, comentários, sugestões e críticas. Um projeto dessa envergadura precisa ser construído de forma colaborativa”, argumenta Marcílio Lana.

Acessibilidade

Visualmente, o Portal UFMG se orienta pelas regras de acessibilidade (W3C) do Governo Federal, com formato em grandes proporções, que oferece conforto visual, e código que possibilita funcionamento adequado de softwares de leitura para cegos. Por orientação do Núcleo de Acessibilidade e Inclusão (NAI) da UFMG, o ambiente utiliza apenas alto contraste em preto e branco, para uso de pessoas com visão subnormal. A fotografia ganha destaque nas páginas, que também preveem a inserção de informações em outras mídias, como vídeos, áudios, gráficos e recursos de programação visual que tornam a leitura mais agradável. O site é compatível com diversas telas e navegadores.

“A questão imagética foi muito bem trabalhada, não só como infraestrutura, mas também conceitualmente”, comenta a jornalista Ana Maria Vieira, coordenadora do setor Web do Cedecom e do processo de criação do site. Ao escolher imagens para as páginas, a equipe evitou estereótipos como a representação da ciência apenas por laboratórios nas áreas de exatas ou biológicas. “A intenção é mostrar, por meio da imagem, uma ciência mais aberta, que abrange as artes e a linguística, feita por todos os grupos que integram a UFMG, por exemplo”, observa a jornalista, lembrando que o site também valoriza os sentidos, pois a beleza dos campi Pampulha, Montes Claros, Tiradentes e Diamantina é parte da identidade da UFMG. “São espaços muito bem cuidados e ricos em relação ao meio ambiente, ao seu aspecto arquitetônico e ao modo como as pessoas os utilizam. Isso está refletido no site”, comenta.

Com o objetivo de assegurar que o Portal UFMG seja abastecido com imagens diversificadas e de qualidade, a equipe Web desenvolveu o sistema Zuni, que gerencia o acervo fotográfico do Cedecom, formado atualmente por cerca de cem mil fotos digitais, das quais pelo menos 50 mil já estão catalogadas e identificadas por tags, que vão guiar o sistema de buscas na produção diária de notícias e matérias jornalísticas pela equipe do Cedecom e da grande mídia. Caso outros setores da UFMG queiram no futuro integrar seus bancos de imagens, é possível utilizar o Zuni, para criar álbuns de acesso a determinados grupos de usuários, por meio de senha pessoal.

A construção do Portal tomou por base projeto de comunicação em cujos eixos estão, por exemplo, o direito à informação, a internacionalização da instituição, o aumento da diversidade social da comunidade universitária, a maior inserção da Universidade na sociedade e a oferta de serviços diversos.

Pesquisa

Para compreender as necessidades dos usuários, foi utilizada pesquisa realizada em 2012, apoiada pela Fundep, da qual participaram integrantes da comunidade e público externo. O projeto também usou dados sobre preferências de navegação do internauta no ambiente virtual da UFMG, temas mais recorrentes expostos pelo público à Ouvidoria da instituição, além de mensagens enviadas pelos usuários ao webmaster e às redes sociais da Universidade. Há três anos, a equipe realizou análise comparativa com sites de outras universidades e revisão da pesquisa, e submeteu protótipo do portal aos mesmos segmentos. A cada etapa de desenvolvimento, foram também realizados testes de usabilidade com o público.

“O tema mais citado nas pesquisas, sem dúvida, é ensino”, relata a jornalista Ana Maria Vieira. Ela conta que as pessoas querem saber tudo o que se relaciona às modalidades de cursos ofertados pela UFMG, como currículos, formas de ingresso, reserva de vagas, moradia, matrícula, transferência e disciplinas isoladas, por exemplo. “Há também muitas perguntas de estudantes de outras localidades do país e estrangeiros, como latino-americanos e europeus, que desejam estudar aqui”, diz. A construção considerou ainda a visão dos dirigentes, além da percepção que o usuário final tem em relação ao Portal. “Não basta saber o que as pessoas precisam; a instituição também deve indicar uma direção, criar liderança na oferta de soluções”, afirma Ana Maria Vieira.

A nova estrutura utiliza informações dinâmicas, que mudam em todo o sistema à medida que são atualizadas na base de origem. Isso reduz o custo de atualizações e marca o compromisso com a economicidade na área pública. Bases de dados e sistemas já existentes na Universidade foram mapeados e estão sendo paulatinamente integrados ao portal, como o Sistema Acadêmico (Siga), que reúne todas as informações sobre cursos de graduação e de pós-graduação. “Abrimos, junto ao Centro de Computação, uma janela no Siga para disponibilizar dados que interessam ao público externo”, explica Ana Maria Vieira. Essa integração e a criação de sistemas específicos para compor o Portal “possibilitam que a Universidade entre em uma vertente de governança eletrônica mais contemporânea”, pondera a coordenadora.

Esse aspecto do portal, que se configura como um megassítio, utiliza o conceito de interoperabilidade, do governo federal, ao propor novas finalidades de uso para determinados recursos. É o caso do Somos UFMG, que continua a ser referência para localização de currículos dos docentes ativos, linhas de pesquisa, estrutura e laboratórios das unidades acadêmicas, e que fornecerá dados específicos para determinadas buscas. A integração de alguns de seus dados está em processo.

São chamados de megassítios os portais eletrônicos de universidades, organizações editoriais e governamentais, que contêm muitas estruturas de navegação, com informações em grande volume e dispostas em muitas camadas e com regras técnicas distintas, o que dificulta a arquitetura do sistema e, consequentemente, a navegação dos usuários. Por esse motivo, e compreendendo que o público utiliza preferencialmente sistemas de buscas para localizar informações em sites, a equipe deu atenção especial a melhorias nos recursos de pesquisa, redundância de informações e indexação em motores de busca da web.

Compartilhamento

Alguns serviços oferecidos pelo novo portal possibilitam compartilhamentos, como a plataforma de eventos. Usuários poderão assinar serviço de newsletter ou simplesmente criar notificações para recebimento de conteúdos por e-mail. A mesma modalidade de serviço de informações eletrônica pode ser assinada para receber as notícias da Universidade. Por meio de formulário, as pessoas também poderão interagir, sugerindo pautas e dados sobre eventos da instituição. A equipe também está dando os primeiros passos para oferecer templates para as unidades administrativas e acadêmicas. Modelo básico já foi desenvolvido para os programas de pós-graduação. A adesão será voluntária.

Apesar da projeção de desenvolvimento de novas funcionalidades, Ana Maria Vieira adverte que no mundo digital a inovação é muito rápida, e a atualização tem de ser permanente, até mesmo para evitar o impacto financeiro de uma modificação de grandes proporções. “Uma vantagem desse sistema é a flexibilidade. É possível criar e tirar módulos com facilidade, agregando inovações a qualquer momento.”

Na atual fase do projeto, a equipe conta com estagiários do curso de Ciência da Informação, para a tarefa especializada de gerenciamento dos dados. “É uma nova realidade dentro da comunicação: diante da grande massa de informações disponível na sociedade moderna, é fundamental gerenciá-la, para posterior recuperação. Não é mais possível fazer comunicação sem o suporte da Ciência da Informação e de tantas outras áreas como História, Letras e Computação”, lembra a jornalista Ana Maria Vieira.

A equipe responsável pela criação do novo portal é formada por designers de interação, fotógrafo, jornalistas, desenvolvedores, profissionais de infraestrutura de web e da área de usabilidade. A arquitetura e o layout do portal são testados no modo como os usuários criam experiências e percursos no site.
*Reportagem originalmente publicada na edição nº 1990 – ano 2017 do Boletim UFMG, de 11/7/2017

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