Exposição no Centro Cultural revisita estado de exceção, anistia e justiça de transição no Brasil
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Painel ilustra resistência estudantil na UFMG durante o regime militar. Foto Cyro Almeida / Divulgação

Painel ilustra resistência estudantil na UFMG durante o regime militar. Foto Cyro Almeida / Divulgação

 

Aberta a visitação pública até 31 de agosto, no Centro Cultural UFMG, a exposição Desconstrução do esquecimento: golpe, anistia e justiça de transição revisita momentos da história do país. A mostra, que faz parte das comemorações dos 90 anos da UFMG, foi concebida no âmbito do projeto Memorial da Anistia do Brasil.

Estruturada em três eixos – golpe, anistia e justiça de transição –, a mostra foi montada em cinco salas da galeria Aretuza Moura, do Centro Cultural UFMG, localizado no centro da capital mineira, e reúne obras inéditas de oito artistas. O projeto, inaugurado no último dia 28, mobilizou 200 profissionais. Outros subtemas também integram a exposição, entre eles as estruturas de repressão, o desrespeito aos direitos indígenas, a articulação das mulheres na luta pela anistia e as políticas de reparação.

“É preciso recusar o esquecimento e a cegueira que tendem a recair sobre os fatos históricos e cotidianos”, defende a vice-reitora Sandra Goulart Almeida. Segundo ela, a exposição se propõe a relembrar e reviver momentos marcantes e traumáticos da história nacional. “O golpe de 1964, o estado de exceção vivido pelo povo brasileiro, a anistia que se seguiu e a longa construção do processo de reparação da justiça”, pontuou. Em sua opinião, a iniciativa é uma demonstração de dever cívico e compromisso institucional da UFMG, que neste ano completa nove décadas de existência.

Reencontro com a história

Ao visitar a exposição, o servidor aposentado Irani Campos, expulso da UFMG e perseguido por sua atuação política contra a ditadura, disse ter revivido sentimentos do passado. “Essa exposição me faz lembrar que nenhum povo se liberta se não conhecer, se não tiver memória social, se não conhecer sua história”.

Para Campos, a exposição é uma oportunidade de reencontro com a própria história. “É um bom momento para lembrar que é preciso fortalecer uma luta que ainda não acabou. Temos que continuar lutando pela liberdade e pela democracia”.

Irani Campos: fortalecimento de uma luta que não acabou. Foto Cyro Almeida / Divulgação

Irani Campos: fortalecimento de uma luta que não acabou. Foto Cyro Almeida / Divulgação

A diretora de Ação Cultural, Leda Martins, prestou uma homenagem ao servidor. “É um dia de grande emoção e gostaria de homenagear simbolicamente essa pessoa que nos dignifica, uma pessoa viva, entre tantas que morreram na travessia de tempos tão sombrios. Irani é expressão viva, em todos os sentidos da palavra, a razão e o sujeito dessa obra”, declarou.

Parceria acadêmica

O material para a exposição Desconstrução do esquecimento: golpe, anistia e justiça de transição é fruto de pesquisa do Projeto República: núcleo de pesquisa, documentação e memória, vinculado à Fafich, e do Centro de Estudos sobre Justiça de Transição, da Faculdade de Direito. Os grupos se basearam no mapa curatorial da exposição de longa duração do Memorial da Anistia Política do Brasil.

Oito artistas convidados de diferentes áreas das artes criaram obras inéditas para a mostra, que integrarão o acervo do Memorial da Anistia Política do Brasil e serão apresentadas com exclusividade na mostra Sentimentos, na sala Celso Renato, no segundo pavimento do Centro Cultural UFMG: Clébio Maduro, Eder Santos, Eustáquio Neves, Jorge dos Anjos, Marco Túlio Resende, Mário Zavagli, Maurício Gino e Shirley Paes Leme.

Produzida pelo curador da exposição, professor Fabrício Fernandino, a escultura Projeções da memória homenageia os quatro estudantes da UFMG mortos pela ditadura militar – Gildo Macedo Lacerda, Idalísio Soares Aranha Filho, José Carlos Novaes Mata Machado e Walquíria Afonso Costa – e pode ser vista no pátio interno do Centro Cultural.

O professor Fabrício Fernandino, vinculado à Escola de Belas Artes, reitera que o objetivo da exposição é a desconstrução do esquecimento. “Como instituição pública de ensino, cabe à Universidade buscar a preservação da memória e da história e zelar pelo esforço de milhares que lutaram e acreditaram na democracia, na liberdade e na possibilidade de construir uma nação justa”, conclui.

Exposição: Desconstrução do esquecimento: golpe, anistia e justiça de transição
Até 31 de agosto de 2017
Centro Cultural UFMG – Avenida Santos Dumont, 174 – Centro, Belo Horizonte – MG
Visitação: de segunda a sexta-feira, das 10h às 19h, e aos sábados, das 10h às 13h
Contato: secdir@dac.ufmg.br

Golpe, anistia e justiça de transição compõem os eixos da exposição, que pode ser visitada até 31 de julho. Foto Cyro Almeida / Divulgação

Golpe, anistia e justiça de transição compõem os eixos da exposição, que pode ser visitada até 31 de julho. Foto Cyro Almeida / Divulgação

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