Reunião termina em clima de ‘encantamento’
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Dirigentes da UFMG e da SBPC compuseram a mesa de encerramento. Foto: Foca Lisboa

Dirigentes da UFMG e da SBPC compuseram a mesa de encerramento. Foto: Foca Lisboa

 

Em solenidade na noite da sexta-feira passada, 21, o reitor Jaime Ramírez enumerou motivos que levaram a UFMG a sediar o maior evento científico da América Latina. “Por sermos profissionais da educação, temos esse lado do ideal, da utopia, de sempre, por maior que seja o trabalho, por mais adversa que seja a situação, nos entregar e acreditar que podemos contribuir para o nosso país”, ponderou.

O presidente eleito da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Ildeu Moreira, afirmou que sai da 69ª Reunião Anual com “esperança renovada”, por acreditar na capacidade da atuação da comunidade científica e dos “milhões de jovens que não têm a oportunidade de estar na universidade brasileira, mas vão fazer a diferença”. Moreira, que citou as principais decisões aprovadas em assembleia geral da Sociedade, em prol da ciência e da educação brasileiras, enfatizou que “o Brasil é muito maior do que as dificuldades que temos”.

Coordenadora da comissão local, a vice-reitora Sandra Goulart Almeida recorreu ao poeta Manoel de Barros para lembrar que a importância de uma coisa “se mede pelo encantamento que ela produz” e afirmou: “a Reunião foi um grande encantamento para nós”.

Autoridades e participantes da Reunião foram saudados no saguão da Reitoria. Foto: Foca Lisboa

Essa atmosfera permeou o evento até em seus instantes finais, quando os participantes da 69ª Reunião Anual foram homenageados em cantos e ritual celebratório de representantes dos povos indígenas guarani, maxakali, pataxó, pataxó hã hã hãe e xakriabá e dos reinados dos Arturos, do Jatobá e Treze de Maio. O cortejo saiu da Escola de Belas Artes, passou pelo prédio da Reitoria e se encerrou na Praça de Serviços (leia mais).

Homenagem

Povos indígenas celebraram evento. Foto: Foca Lisboa / UFMG

O reitor da UFMG comentou que o evento foi uma dupla dádiva nas comemorações dos 90 anos da Universidade, pois, ao mesmo tempo que recebeu, ela pôde dar
“aquilo que compreendemos que é próprio para a educação, a ciência, a arte, a cultura e, de uma forma geral, aquilo que acreditamos para o nosso país”.

Jaime Ramírez fez referência à quantidade de energia e à capacidade de trabalho, de organização e de liderança da vice-reitora Sandra Goulart Almeida e da professora Helena Nader, que agora deixa a direção da SBPC, em nome de quem agradeceu a todos os que trabalharam nesta edição da Reunião Anual. E citou Carlos Drummond de Andrade, “ex-aluno da UFMG”, para afirmar que “as coisas tangíveis tornam-se insensíveis à palma da mão. Mas as coisas findas, muito mais que lindas, essas ficarão”.

Ao apresentar os dados numéricos que resumem a dimensão do evento realizado na UFMG, a secretária-geral da SBPC, Cláudia Masini D’Avila Levy, leu nota de reconhecimento à professora Helena Nader, aprovada pela plenária do Conselho Nacional de Educação (CNE) no último dia 8. O documento afirma que a presidente da SBPC “representou a capacidade da nação de resistir e seguir em frente”.

Segundo Cláudia Levy, em torno de 2,5 mil pessoas assinaram a cada dia as listas de presença em palestras e conferências da 69ª Reunião Anual, além de 15 mil alunos da UFMG. O evento SBPC Jovem atraiu cerca de 8 mil pessoas ao campus Pampulha.

Reivindicações

Ildeu Moreira enumerou as principais decisões da assembleia que reuniu, na quinta-feira, 20, representantes das 139 associações científicas que compõem a SBPC, além de outros integrantes da Sociedade. As reivindicações incluem a volta do Ministério de Ciência e Tecnologia e Inovação (MCTI), atualmente fundido com o Ministério das Comunicações; a recomposição do orçamento e contra o congelamento drástico de recursos para educação, Ciência e Tecnologia (C&T); a revogação da Emenda Constitucional 95, que é considerada lesiva ao país por congelar esses gastos; o fim da contingência de recursos de institutos do MCTIC; inclusão do período de formação na contagem de tempo para aposentadoria, para alunos de pós-graduação; preservação da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila).

Também estão entre as medidas aprovadas na assembleia a denúncia do “quadro gravíssimo” por que passam diversas universidade públicas brasileiras, por falta de recursos; a definição de que recursos públicos desviados para corrupção sejam direcionados para financiar C&T; repúdio à ameaça a comunidades quilombolas de Alcântara (MA); repactuação da democracia brasileira, “simbolizada no mote diretas-já”.

Agradecimentos

Helena Nader e Sandra Goulart Almeida citaram e agradeceram nominalmente os coordenadores das comissões e subcomissões que possibilitaram a realização da 69ª Reunião Anual. A presidente da SBPC gestão 2015-2017 destacou pontos altos do evento, como a presença de Ana Júlia Ribeiro, estudante secundarista de Curitiba.

Também compuseram a mesa do evento os novos integrantes da diretoria da SBPC para o biênio 2017-2019: Paulo Hoffmann, Ana Maria Bonetti, José Antônio Aleixo, Sidarta Ribeiro, Lucile Floeter Winter e Roseli de Deus Lopes.

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