
Reconhecido mundialmente por financiar o estudo de alunos dos quatro quadrantes nos Estados Unidos, bem como promover a mobilidade de estadunidenses a diversos países do mundo, o Programa Fulbright promove o intercâmbio cultural entre as nações participantes, possibilitando conexões em um mundo complexo e em constante mudança.
Com oferta anual, o processo seletivo para doutorado sanduíche de brasileiros no exterior inclui apresentação de exame de proficiência, análise curricular, avaliação de projetos, entrevistas e validação final pelo J. William Fulbright Foreign Scholarship Board (FFSB). Na última seleção, que contou com recorde de inscritos, 40 doutorandos de todo o Brasil foram contemplados com a bolsa de estudos, com pesquisas em diversas áreas.
A partir de julho de 2022, integrantes da UFMG e os premiados com o Doctoral Dissertation Research Award: Hemanoel Passarelli, da Pós-Graduação em Bioinformática, Isis Arantes, da Pós-Graduação em Educação, e Nayla Lopes, da Pós-Graduação em Ciência Política, representarão a universidade durante estágio de doutorado sanduíche nos Estados Unidos.

Hemanoel é candidato ao Doutorado em Bioinformática sob a orientação de Thiago Venâncio e Glória Franco. Em sua tese, na linha de pesquisa Genética de Populações Bacterianas, busca entender como essas bactérias são estruturadas geneticamente e como essa informação pode ser utilizada na pronta detecção de microrganismos resistentes aos antibióticos utilizados atualmente. Durante o período no exterior, Hemanoel ficará sob a supervisão do Dr. Bill Hanage, na Harvard T.H. Chan School of Public Health, Boston.
“É uma oportunidade muito grande receber uma bolsa Fulbright e fazer parte dessa rede de pessoas que querem mudar o mundo de alguma forma. Nos próximos meses, ficarei em contato com diversas culturas e estudantes do mundo inteiro, o que, certamente, mudará a minha forma de enxergar a ciência no meu próprio país”, pontua o pesquisador.

Isis é doutoranda em Educação na UFMG sob a orientação da professora Flávia Xavier. Membro do Núcleo de Pesquisa em Desigualdades Escolares (NUPEDE/UFMG), ela tem dedicado sua tese para entender as desigualdades nas trajetórias escolares dos estudantes brasileiros da educação básica. A estudante ficará sob a supervisão do Dr. Gregory Palardy, no Departamento de Educação da Universidade da Califórnia, Riverside.
“Esse prêmio é um reconhecimento de que estamos fazendo pesquisas socialmente referenciadas e impactantes. O Brasil e os EUA enfrentam problemas educacionais semelhantes, minha expectativa é de trocas teóricas e metodológicas importantes”, afirma a doutoranda.

Nayla é doutoranda em Ciência Política na UFMG, sob orientação da pesquisadora do Grupo Opinião Pública e professora Helcimara Telles. Sua pesquisa investiga os fatores cognitivos, sociais, políticos, históricos e comunicacionais que contribuem para a compreensão do comportamento negacionista, especialmente durante a pandemia de Covid-19. Durante seu período de estudos nos Estados Unidos, a estudante estará sob supervisão dos professores Russell Dalton e Graeme Boushey, da Universidade da Califórnia em Irvine. No Jack W. Peltason Center for the Study of Democracy, Nayla pretende realizar entrevistas em profundidade com indivíduos negacionistas a fim de investigar suas fontes de informação, e de que maneiras seus sistemas de crenças contribuem na conformação de suas interpretações da realidade e como lidam com eventuais dissonâncias cognitivas.
“Conhecer e entrevistar pessoas com diferentes compreensões da realidade era meu objetivo ao ingressar no doutorado e isso se tornou ainda mais urgente no contexto da pandemia e das profundas divergências a respeito dela. O ‘selo Fulbright’ representa a realização de um grande projeto pessoal e profissional, além de confirmar a relevância acadêmica da pesquisa a qual me dedico. Estou muito entusiasmada com a oportunidade de estar nesse time seleto de pesquisadores e de aprimorar minha tese! Tenho certeza de que o período nos Estados Unidos vai possibilitar uma compreensão mais acurada do meu fenômeno de interesse”, comemora a pesquisadora.