Calouros chegam à UFMG com motivações e aspirações distintas

Entre elogios à hospitalidade mineira e ao campus, que ‘parece um parque’, os novos estudantes miram oportunidades de ascensão, crescimento pessoal e retribuição à sociedade

CAD 3, no campus Pampulha, reuniu calouros de diversos cursos – Foto: Raphaella Dias | UFMG

A primeira segunda-feira de agosto foi marcada por muita emoção e ansiedade entre os quase 2,6 mil calouros que iniciaram sua trajetória nos cursos de graduação da UFMG. Para recebê-los, os campi Pampulha e Saúde ofereceram uma programação que inclui conversas sobre diversos temas, como o funcionamento das avaliações acadêmicas, as políticas de permanência estudantil, o empreendedorismo na Universidade, a iniciação científica e a importância da saúde mental ao longo da graduação.

Pedro: oportunidades também ocorrem fora das salas de aula – Foto: Raphaella Dias | UFMG

 

Uma das apresentações mais concorridas na manhã desta segunda-feira, dia 3, no campus Pampulha, foi a do pró-reitor adjunto de Graduação da UFMG, Pedro Henrique Rodrigues Pereira. Ao iniciar sua fala, Pedro explicou como os estudantes serão avaliados ao longo do curso, as possibilidades de trancamento de disciplinas e os critérios de desligamento. Ele afirmou que os alunos devem buscar oportunidades também fora das salas de aula, participando de projetos, eventos e ligas acadêmicas.

O pró-reitor disse que os estudantes são a razão de ser da UFMG e que as amizades construídas na Universidade serão essenciais ao longo da graduação e da vida profissional. “As amizades feitas aqui serão o sustento para que vocês sigam em frente e se tornem bons profissionais. Quanto mais amigos vocês têm, maiores são as chances de uma graduação bem-sucedida. Criar laços é muito importante porque só conseguimos construir conhecimento juntos.”

A fala de Pedro foi reforçada pela vice-reitora Alamanda Kfoury Pereira. Ela afirmou que uma das maiores preocupações da UFMG está relacionada à saúde mental dos estudantes. A vice-reitora destacou que a vida universitária é permeada por desafios e dificuldades, mas que a Universidade oferece apoio para lidar com questões relacionadas ao bem-estar e à saúde mental. Como exemplo, mencionou o Trilhas do Cuidado, cartilha institucional lançada em maio deste ano para orientar a comunidade acadêmica sobre os Núcleos de Acolhimento e as Escutas Acadêmicas da UFMG.

“Colocar o tema da saúde mental em pauta é uma estratégia para ajudar e acolher os estudantes. Após os desafios enfrentados durante a preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), eles chegam à Universidade para um novo mundo que se abre, e isso pode ser muito impactante. Estamos conversando sobre saúde mental sem tabus. A UFMG está na fase final da criação de sua política de saúde mental, mas já desenvolve uma série de iniciativas para acolher os estudantes. Eles podem abrir seus corações para a Universidade, e estaremos aqui para apoiá-los no que precisarem.”

A vice-reitora Alamanda Kfoury: saúde mental no centro da pauta – Foto: Raphaella Dias | UFMG

 

O reitor Alessandro Fernandes Moreira disse estar emocionado com a recepção aos novos calouros. “O primeiro dia na Universidade é sempre muito marcante na vida de qualquer um. Quero que cada um dos nossos novos calouros saiba que está iniciando uma nova trajetória de sucesso e que, embora algumas situações pareçam difíceis, a UFMG está preparada para apoiá-lo. A nossa gestão se chama ‘UFMG Acolhedora’, e estamos aqui ao lado dos estudantes e por eles”, afirmou.

Alessandro também destacou a importância dos vínculos para a saúde mental e para o êxito profissional após a graduação. “A principal conquista que vocês terão está relacionada às pessoas e às amizades que farão aqui. Cuidar do outro, do colega, é fundamental”, disse.

Alessandro Moreira: ao lado deles e por eles – Foto: Raphaella Dias | UFMG

 

Os novos estudantes podem encontrar, no site Viver UFMG, informações sobre os primeiros passos na Universidade, como a emissão da carteirinha, o acesso às bibliotecas, aos sistemas da UFMG e à rede wi-fi, além de orientações sobre vida acadêmica, assistência estudantil, acessibilidade e inclusão. Também está disponível on-line a programação específica de recepção aos calouros de cada um dos 97 cursos de graduação.

Cecília: de Aracaju para Minas – Foto: Luana Macieira | UFMG

 

Uma UFMG, sonhos diversos
Os novos estudantes da UFMG são oriundos de diversas regiões do Brasil e chegam à Universidade com motivações e sonhos distintos. Cecília Fujinama, de 18 anos, veio de Aracaju, em Sergipe, para cursar sua primeira graduação. Ela escolheu Engenharia Civil e, apesar de nunca ter estado em Belo Horizonte, decidiu se mudar para estudar na universidade federal que considera a melhor do Brasil.

“É uma mudança muito drástica, mas eu sempre tive vontade de vir para cá, porque minha cidade não tinha um curso como o daqui. Eu estou um pouquinho ansiosa, mas já passei uns dias aqui em Belo Horizonte e fui muito bem recebida. Os mineiros são muito acolhedores. Eu achava que era um estereótipo, mas todos são muito gentis. Eu tinha medo de que aqui fosse como São Paulo, mas me surpreendi porque o campus é lindo, parece um parque. Estou muito feliz.”

Carlos Henrique Vieira Esteves vive um momento diferente do vivido por Cecília. Aos 67 anos, aposentado, ele decidiu deixar a família em Governador Valadares para realizar o sonho de cursar Letras. Carlos já é pedagogo, curso que concluiu a distância também na UFMG. “Eu trabalhei muito tempo na Câmara Municipal de Governador Valadares, onde me aposentei como porteiro. Eu quero fazer esse curso por prazer. Tenho muitas dúvidas existenciais e acho que elas só podem ser esclarecidas por meio do estudo e do conhecimento que existem aqui no ambiente universitário. Eu não busco uma profissão ou uma vaga no mercado de trabalho, mas uma transformação interna. Tudo o que eu quero é o meu crescimento e o meu desenvolvimento para que eu me compreenda e compreenda as pessoas. Assim, serei mais ativo na sociedade”, contou.

Carlos Esteves: conhecimento como vetor de transformação – Foto: Luana Macieira | UFMG

 

Catarina Venuto, ingressante do curso de Artes Visuais, Lorena Brandão, caloura de Pedagogia, e Mônica Castro, ingressante em Biblioteconomia, estavam ansiosas enquanto aguardavam o início das palestras na entrada do Centro de Atividades Didáticas 3 (CAD 3). Catarina contou que estava animada e que sabia que, a partir daquele dia, sua vida mudaria para sempre. “Eu espero conseguir boas oportunidades de emprego quando me formar. Também estou torcendo para que o curso que escolhi corresponda às minhas expectativas.”

Lorena, por sua vez, ressaltou que, no futuro, pretende retribuir à sociedade a formação que inicia na UFMG. “A UFMG é pública, e a sociedade está pagando meus estudos. Quero me tornar professora porque é uma carreira que me ajudará a retribuir tudo isso, uma vez que estarei atuando na construção da educação brasileira. E isso molda o país”, disse, emocionada.

Mônica, natural de Bueno Brandão, no Sul de Minas, contou que ainda está achando a nova vida meio confusa, mas que a UFMG pode ajudá-la a realizar o sonho de trabalhar em uma editora. “Além da nova universidade, tem a questão da cidade nova também. Minha mãe veio comigo neste início e vai ficar ao meu lado até eu me adaptar. É muita ansiedade, mas estou realizando um sonho.”

Catarina, Lorena e Mônica: motivações e desafios diferentes – Foto: Luana Macieira | UFMG

(Luana Macieira – Cedecom/UFMG)