58º Festival de Inverno da UFMG em Tiradentes: Confira a Programação Completa no Museu Casa Padre Toledo

BANNER 3_1

O Festival de Inverno da UFMG chega à sua 58ª edição integrando o patrimônio, a arte e a reflexão em Tiradentes. Sob o tema que celebra as travessias, a oralidade e os territórios, o Museu Casa Padre Toledo/Campus Cultural UFMG preparou uma programação especial e gratuita para moradores e visitantes.

De rodas de conversa a exposições inéditas, passando por oficinas, apresentações musicais e contação de histórias, a programação em Tiradentes acontece entre os dias 18 e 23 de julho.

Confira a agenda completa e programe-se para vivenciar o melhor da cultura universitária no coração histórico de Minas Gerais!


Programação – Tiradentes

18 de julho (Sábado)

Roda das Chicas - Divulgação

Roda das Chicas – Divulgação

  • 16:00 hs | Roda de Conversa: Exposições, Territórios e Memórias

    • Participantes: Pró-reitor de Cultura da UFMG Prof. Fernando Mencarelli, Fabrício Fernandino, Luiz Cruz e Márcia Duarte Santos.

    • Mediação: Diná Marques.

    • Local: Museu Casa Padre Toledo.

    • Venha debater e refletir sobre os processos de criação, preservação e a relação das exposições com a memória dos territórios.

  • 17:00 hs | Abertura da Exposição “Espaços Topológicos”

    • Artista: Fabrício Fernandino.

    • Local: Espaço Jardim – Museu Casa Padre Toledo.

    • Sinopse: Série iniciada pelo artista em 2005 a partir de esboços para trabalhos em madeira. A exposição revela um duplo sentido conceitual entre a rigidez física do material e a fluidez das formas sugeridas pelo pensamento topológico.

  • 17:30 hs | Abertura da Exposição “Campo das Vertentes”

    • Curadoria: Fabrício Fernandino, Fernando Mencarelli, Diná Marques Pereira e Patricia Franca-Huchet.

    • Local: Porão Revelado – Museu Casa Padre Toledo.

    • Sinopse: Um mergulho no território histórico, cultural e simbólico da região dos Campos das Vertentes, explorando sua relevância na formação artística e social do país.

  • 18:00 hs | Espetáculo “A Roda das Chicas”

    • Local: Museu Casa Padre Toledo.

    • Sinopse: Roda de choro protagonizada por musicistas profissionais da região das Vertentes. O grupo debate e celebra a presença das mulheres no Choro — gênero tombado como Patrimônio Imaterial Brasileiro em 2024 —, trazendo composições clássicas e contemporâneas em uma performance vibrante.


21 de julho (Terça-feira)

Duo Paradiso - Créditos: Pedro Gonzales

Duo Paradiso – Créditos: Pedro Gonzales

  • 19:00 hs | Show “Un rio hecho de dos” – Duo Paradiso

    • Local: Museu Casa Padre Toledo.

    • Sinopse: O Duo Paradiso propõe uma emocionante travessia musical por diferentes culturas. No formato intimista de duas vozes e violão, o repertório passeia pela música latino-americana e viaja até o continente europeu, com foco em canções de matriz mediterrânea, boleros e músicas andinas.


22 de julho (Quarta-feira)

  • 14:00 às 16:00 hs | Oficina “Nosso Sertão: Uma imersão Visual-Literária” (Encontro 1)

    • Artistas-Educadoras: Izabel Parreiras e Elizabeth Ramos.

    • Público-alvo: Crianças de 6 a 10 anos (10 vagas).

    • Local: Museu Casa Padre Toledo.

    • Sinopse: Atividade formativa voltada ao público infantil que articula literatura, oralidade e experimentação artística a partir do universo criativo de João Guimarães Rosa, estimulando processos de imaginação, criação coletiva e elaboração de narrativas visuais inspiradas no território local.

  • 17:00 hs | Contação de Histórias: “SER TÃO GRANDE: uma travessia pelas Veredas de Guimarães Rosa”

    • Grupo: Coletivo Teatral Arreda.

    • Local: Museu Casa Padre Toledo.

    • Sinopse: Inspirada na obra-prima Grande Sertão: Veredas, esta apresentação convida o público para uma “prosa” pelos caminhos do sertão. Misturando teatro, música e causos, o coletivo transforma o texto literário em uma experiência viva para todas as idades.


23 de julho (Quinta-feira)

  • 14:00 às 16:00 hs | Oficina “Nosso Sertão: Uma imersão Visual-Literária” (Encontro 2)

    • Artistas-Educadoras: Izabel Parreiras e Elizabeth Ramos.

    • Público-alvo: Crianças de 6 a 10 anos.

    • Local: Museu Casa Padre Toledo.

    • Sinopse: Conclusão da atividade formativa voltada ao público infantil, com foco na finalização das criações coletivas e compartilhamento das vivências artísticas inspiradas na obra de Guimarães Rosa.

IMG-20260525-WA0001.jpg

  • 19:00 hs | Espetáculo Teatral “O Batizado de um Ideal”

    • Grupo: Oficina de Teatro Entre & Vista.

    • Local: Gramado do Museu Casa Padre Toledo.

    • Sinopse: No cenário histórico de Tiradentes, onde as marcas da Inconfidência Mineira permanecem vivas na arquitetura e na memória coletiva, a apresentação convida o público a atravessar uma noite de forte tensão, poesia e desejo de liberdade, ocupando de forma artística as áreas externas do museu.


Serviço

58º Festival de Inverno da UFMG – Tiradentes

  • Período: 18 a 23 de julho

  • Local: Museu Casa Padre Toledo / Campus Cultural UFMG em Tiradentes

  • Endereço: Rua Padre Toledo, 190 – Centro Histórico, Tiradentes – MG

  • Entrada: Gratuita

  • Mais informações: Programação Oficial do Festival

Caminhos de Fé e Arte: A Tradição dos Tapetes de Corpus Christi nas Cidades Históricas

Em Tiradentes, Museu Casa Padre Toledo e Campus Cultural UFMG se unem à comunidade para celebrar o patrimônio imaterial mineiro.

Por Diná Marques / Campus Cultural UFMG em Tiradentes

A confecção dos tapetes de Corpus Christi nas cidades históricas de Minas Gerais — como Ouro Preto, São João del-Rei, Mariana, Sabará e Tiradentes — é uma  tradição que se consolida como uma das ricas manifestações do patrimônio cultural imaterial no Brasil. A solenidade de Corpus Christi, que celebra o mistério da Eucaristia, é uma herança ibérica introduzida no Brasil no início do século XVIII, essa prática ao longo do tempo e até nossos dias configurou-se em um lugar de memória coletiva, identidade local e devoção popular.

luiz cruz

Os tapetes representam, assim, uma manifestação de fé e reverência onde a comunidade prepara o caminho por onde passará o Santíssimo Sacramento. A confecção dos tapetes mobiliza famílias, voluntários, pastorais, espaços públicos em um momento de ação comunitária e compartilhada. Não sem razão, a feitura dos tapetes é, também, uma manifestação indissociável do patrimônio histórico, artístico e cultural das cidades antigas em Minas Gerais. Historicamente, a tradição integrou-se ao cenário urbano do barroco e do rococó mineiros. Registros históricos associam a expansão dessas grandes festividades públicas — chamadas de “triunfos” — ao dinamismo das irmandades religiosas e à opulência do ciclo do ouro no século XVIII (como podemos ver no célebre Triunfo Eucarístico de Vila Rica em 1733)¹.

Confeção de Tapetes pela equipe do Campus Cultural UFMG

Confeção de Tapetes pela equipe do Campus Cultural UFMG

Ao ornamentar as ruas das cidades, os tapetes de Corpus Christi acionam a memória de longa duração de suas comunidades. Eles ligam o passado colonial, o presente das cidades históricas e são registros que preparam o caminho para manter esta prática no futuro. Um registro de passagem da procissão de Corpus Christi, na Rua Direita em Tiradentes na década de 1980, faz parte das fotos da exposição “Tiradentes Passado Presente” do Museu Casa Padre Toledo.

Esta exposição busca demonstrar como a cidade e a região é um território vivo de memórias e de culturas. Assim, o Museu busca rememorar as tradições e os saberes locais em seu papel de museu da cidade e para a cidade. O acesso ao Museu e à exposição é gratuito para todos os moradores de Tiradentes. Visitas orientadas podem ser agendadas aqui.

Em 2026 o Campus Cultural UFMG participou do movimento comunitário da cidade de Tiradentes para a confecção de tapetes. A proposta dos tapetes na frente do Museu e do Espaço Cultural Quatro Cantos usou elementos artísticos-religiosos presentes nos forros pintados do Museu Casa Padre Toledo e teve projeto realizado pelo artista Fabrício Fernandino.


¹ Este livro pode ser consultado no CeB (Centros de Estudos e Biblioteca) do Campus Cultural UFMG em Tiradentes, na Coleção Affonso Avila. Demais livros sobre o tema em nossa biblioteca:
  • ÁVILA, Affonso. Resíduos Seiscentistas em Minas: rextos do século do ouro e as projeções do mundo barroco. Belo Horizonte: Centro de Estudos Mineiros, 1967. 2v. 
  • BOSCHI, Caio César. Irmandades, religiosidade e sociabilidade. In: VILLALTA, Luiz Carlos; RESENDE, Maria Efigênia Lara de (orgs.). História de Minas Gerais. Belo Horizonte: Autêntica, 2007. v.2.
  • SOUZA, Laura de Mello e. Desclassificados do ouro: a pobreza mineira no século XVIII. Rio de Janeiro: Graal, 1982.