“UEADSL é um espaço de aprendizado em todos momentos de participação, da inscrição à publicação”, diz coordenadora do evento em entrevista ao Caed

A uma semana do UEADSL 2016/2, evento on-line que debate universidade, educação a distância e software livre, o Caed entrevistou a professora  da Fale/UFMG Ana Cristina Fricke, idealizadora da iniciativa, realizada desde 2010 pelo grupo Texto Livre, do qual é coordenadora.

Para saber mais sobre essa edição e sobre como acompanhar o evento, que nesta edição tratará do tema “Diversidades” e acontece de 6 a 14 de fevereiro, acesse https://www.ufmg.br/ead/ueadsl.

Caed: O UEADSL aconteceu, pela primeira vez, em 2010. Qual o balanço que a senhora faz das últimas edições?

Profa. Ana Cristina: O UEADSL, promovido desde 2010 pelo grupo Texto Livre, é um evento de cunho didático, em que todos os momentos de participação são espaços de aprendizado, desde a escolha dos temas, no que buscou-se sempre favorecer temas polêmicos, até à publicação dos anais.

Essa proposta fundamentou o evento desde sua concepção inicial e mantém-se forte até hoje, assim como a finalidade de que seja também uma oportunidade para o professor envolver suas turmas com foco na disciplina que estiver oferecendo.

O UEADSL depende da participação dos docentes, que trazem suas turmas para o evento e acompanha-as. É importante que os professores saibam que o UEADSL foi feito para ele e que o molde de cada edição será definido conforme os seus interesses educacionais. Isso reforça minhas expectativas para este semestre.

Nesse aspecto tenho uma expectativa muito positiva com a participação da equipe do CAED, promovendo a participação de diferentes professores de turmas online na presente edição.

Caed: O UEADSL foi idealizado para ser um espaço on-line que aborda Universidade, EaD e Software Livre. Que tipo de relações entre esses termos têm sido, tradicionalmente, objeto de discussões?

Profa. Ana Cristina: Esses temas, presentes no dia a dia da comunidade acadêmica, dão lugar a posições, em geral, intransigentes e são discutidos por cursos de diversas áreas, por isso foram levados ao palco pelo Texto Livre, para que pessoas de diferentes áreas possam ter uma discussão construtiva sobre esses temas, tanto no que tange ao assunto em si quanto no que tange à forma da discussão.

O tema do software livre é, na maior parte dos ambientes, bastante polêmico, pelas mais diversas razões. A Universidade pública deve utilizar software livre? Deve produzir software livre? Qual o papel do software livre na ciência? E na educação?
A relação entre EaD e software livre vai na mesma linha. Até hoje ainda é difícil para muitas pessoas compreender que a internet é “movida a software”, de diferentes tipos, então a descoberta da internet como uma rede de códigos que conversam entre si também traz dúvidas, espanto, medos e outras reações.

E não podemos deixar de lembrar que a EaD na universidade pública também é um assunto polêmico que dá margem a muitas discussões, entre todos os membros das instituições. Ora, a polêmica é a base do que chamo de metodologia Texto Livre, a metodologia do risco: defender uma posição e/ou opinião com argumentos lógicos e fundamentação científica é uma arte que todo universitário deveria exercitar.

O UEADSL foi a forma que encontramos para abrir um espaço não só favorecedor desse tipo saudável de discussão como também um espaço em que esse saber-fazer específico é recompensado, na forma de retribuições institucionais tais como certificados e anais.

Caed: Em 2015, o evento contou com a parceria, pela primeira vez, do Caed/UFMG. No que essa parceria contribui para o UEADSL?

Profa. Ana Cristina: O professor, ao entrar na comissão do UEADSL pela primeira vez, se arrisca, pois só é possível captar a magnitude do evento se você participar de cada uma das fases. Em 2015, a participação do Caed foi uma prévia do que teremos agora. Acompanhei de perto a coragem de participar, o comprometimento, a colaboração, em especial da professora Suzana Gomes, dando um toque original ao UEADSL2015/1. O que vi foi um crescimento de ambas as partes, além de abrir espaço para essa parceria, tão profícua.

Caed: O tema da edição 2016/2 é “Diversidades”. Por que esse tema foi escolhido?

Profa. Ana Cristina: A palavra “diversidade” também contém em sua natureza a polêmica. Ela é mais que isso, ela é dialética, pois traduz tanto a tensão entre os diversos quanto a aceitação de suas diferenças. Amplia, assim, a polêmica da tríade universidade, EaD e software livre, para outros prados, mostrando novas dinâmicas tensivas e a cara de seus elementos diversos. Penso que esta bela palavra acolhe muito bem as muitas caras de nossos debatedores, por isso foi uma ótima escolha da comissão executiva.

Caed: Qual a sua expectativa com relação a esta edição?

Profa. Ana Cristina: O UEADSL é online. Nunca tivemos, no entanto, alunos de cursos a distância, no máximo alunos de cursos presenciais cursando uma disciplina a distância. Mas agora temos o Caed trazendo, em peso, os alunos de EaD da UFMG para debater no UEADSL. Enche-me de entusiasmo saber que vão provar dessa experiência online ímpar alunos já acostumados ao ambiente.

Tenho certeza que será um momento de descoberta, de reconhecimento e de muito prazer, pois o prazer é a pitada que faz toda a diferença quando se trabalha a distância. Espero que todos compartilhem esse momento de peito aberto e de cabeça erguida, dono de suas opiniões, respeitosos com a opinião alheia e divertidos ao se surpreender com sua própria capacidade de debater por meio da escrita.

Caed: Abaixo, está a relação dos trabalhos, organizada por linhas temáticas. As linhas com maior número de artigos inscritos são: Educação e Tecnologias Digitais; Práticas de Ensino e Inovação e Letramentos. Que tipo de inferência pode-se fazer sobre essa distribuição?

Profa. Ana Cristina: É bastante significativa essa distribuição de temas. A maioria são alunos online, preocupados com o próprio aprendizado. Acho fantástico que os alunos pensem sobre seu modo próprio de aprendizagem, pois isso os torna sujeitos da construção do seu saber.

Em aulas presenciais, até onde pude acompanhar, essa postura fica restrita a “alunos prodígio”, lamentavelmente. A meu ver, a predominância dos temas “Educação e Tecnologias Digitais”, “Práticas de Ensino e inovação” e “Letramentos” é reflexo disso. E não me recuso sonhar que essa postura dos alunos online acabe “contaminando” os estudantes de cursos presenciais. Quem sabe?…

Caed:Há alguma observação, em especial, sobre essa edição? 

Profa. Ana Cristina: Esta é a primeira edição do UEADSL que não é dirigida por mim, mas pela mestranda em Letras Thalita Santos Felício de Almeida. Ela, sem saber, viveu a metodologia do risco sendo monitora de turmas online no UEADSL. Conheceu a parte pesada do trabalho quando tivemos até mais de 700 alunos participando. Vê-la tomar as rédeas do evento está sendo um privilégio, por sua lucidez e bom senso.
Por todos esses motivos que destaquei, esse é um UEADSL para ficar na história.